O círculo vicioso de Jair Lula Bolsonaro

O círculo vicioso de Jair Lula Bolsonaro
Foto: Reprodução/TV Brasil

Se havia alguma dúvida da similaridade entre Lula e Jair Bolsonaro, o petista encarregou-se de dirimir na sua entrevista de hoje a blogueiros de esquerda, um dia depois de nova denúncia da Lava Jato contra ele, no caso do Instituto Lula, que recebeu uma dinheirama da Odebrecht.

Como publicamos, Lula atacou Sergio Moro e a Rede Globo, afirmando que “ele [Moro] poderia ter demonstrado seriedade quando virou bolsonarista. Ele é tão medíocre que, quando sai, ele tenta criar mais uma pirotecnia com o apoio da Globo: ‘Ah, eu vou sair porque o Bolsonaro quer indicar o diretor-geral da Polícia Federal’”.

Moro e Globo são considerados inimigos também por Bolsonaro, fato notório e até cansativo. Mas Lula foi além: ele defendeu a interferência do atual presidente na Polícia Federal: “É importante lembrar que o presidente da República tem o direito de indicar o diretor da Polícia Federal, sim. Eu indiquei duas vezes e nunca pedi nem orientei porque eles têm autonomia. E por que o Moro achava que ele podia e o Bolsonaro não podia? Tenta ganhar a opinião pública mentindo outra vez”.

Ao defender que Bolsonaro possa nomear um diretor da PF para chamar de seu, Lula, para não variar, mente: na presidência da República, ele conseguiu balcanizar a Polícia Federal, aparelhando parte da corporação, como ficou demonstrado no caso do dossiê dos aloprados, em 2006, quando a PF petista fez de tudo para esconder a montanha de dinheiro em espécie encontrada com lulistas encarregados de comprar o papelório fajuto contra o tucano José Serra. Foi a imprensa que conseguiu obter a imagem que se queria cancelar. A PF lulista também tentou intimidar repórteres que teriam ido longe demais na sua investigação jornalística.

O que Lula fez na PF é o que Bolsonaro queria e ainda quer fazer, para evitar que investigações sobre o esquema da sua família no Rio de Janeiro possam avançar ainda mais.

Na verdade, e a imagem é igualmente velha como tudo o que ambos representam, Lula e Bolsonaro são as extremidades da ferradura ideológica que serve de calçado às cavalgaduras que integram as suas respectivas massas de manobra. As extremidades, no entanto, mostram-se desavergonhadamente cada vez mais próximas — e, se tudo der errado para o país, formarão um círculo vicioso do qual será difícil escapar a partir de 2022, condenados que também estaremos aos seus herdeiros. Círculo vicioso com o Centrão no meio, também para não variar.

Jair Lula Bolsonaro: no Brasil, nunca foi preciso fingir tão pouco que tudo muda para que tudo fique como sempre foi.

Leia mais: Moro exclusivo: você não deve perder essa reflexão sobre ética pessoal e nacional
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