O eleitorado bovino e a vaca

“Nem que a vaca tussa”. Foi o mote da campanha eleitoral de Dilma Rousseff.

Depois de dizer que Aécio Neves e Marina Silva lesariam os trabalhadores mexendo no abono salarial e no seguro-desemprego, a candidata petista jurou que jamais diminuiria aqueles benefícios. E, para dar mais peso à sua promessa, pronunciou a célebre frase: “Nem que a vaca tussa”.

Era mentira. Pior ainda: Dilma Rousseff sabia que era mentira.

A Folha de S. Paulo, hoje, prova que o corte no seguro-desemprego estava previsto desde meados de 2014. O corte no abono salarial também. A economia com esses gastos, de fato, estava até contabilizada no Orçamento. Um integrante do governo, ouvido pelo jornal, admitiu que “a previsão foi feita com base nas regras já então definidas e que seriam anunciadas depois das eleições”. 

Ao assumir o Ministério da Fazenda, Joaquim Levy deixou que lhe atribuíssem os cortes nos direitos trabalhistas. Afinal, foi exatamente para isso que Dilma Rousseff o colocou no cargo: para descarregar sobre um testa-de-ferro tucano todas as medidas impopulares do governo. O acordo é perfeito: Dilma Rousseff mente e Joaquim Levy tosse. 

A vaca tossiu com as quatro patas juntas

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