O 'elo' entre Frederick Wassef e Delúbio Soares

Como registramos há pouco, a Operação E$quema S também investiga o pagamento de R$ 2,6 milhões da Fecomércio para o advogado Frederick Wassef, por meio do escritório Eluf e Santos Sociedade de Advogados.

O MPF explica que a contratação de Eluf se deu a pedido do publicitário Marcelo Cazzo, “não tendo o trabalho realizado justificado o valor de contratação”. Em sua delação, Orlando Diniz dá mais detalhes dessa relação.

Ele diz que Marcelo Cazzo substituiu Cristiano Zanin no comando do esquema e que a advogada Luiza Eluf, com quem se encontrou uma única vez em 2016, foi indicada ao publicitário por “Ivan Guimarães, dono da empresa Corseque Security, com quem a Fecomércio também mantinha contrato”.

Ivan Guimarães foi presidente do Banco Popular no primeiro mandato de Lula, indicado ao cargo por Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT. Segundo Orlando Diniz, “Guimarães era muito próximo de Frederick Wassef”.

“Guimarães era muito próximo de Frederick Wassef; QUE Ivan Guimarães tinha escritório em São Paulo, mas morava em Brasília; QUE Luiza Eluf indicou Frederick Wassef para tratar do objeto do contrato, atuando em nome do escritório dela; QUE essa informação só veio ao colaborador depois da reunião de contratação; QUE a contratação de Frederick Wassef foi feita pelo escritório de Luiza Eluf, não pela Fecomércio; QUE o colaborador acredita que Frederick Wassef não podia ser contratado diretamente porque a esposa dela era dona de uma empresa de tecnologia de informação com problemas na justiça; QUE foi algumas vezes à casa de Frederick Wassef em Brasília; QUE Frederick Wassef frequentou a sede da Fecomercio, no Rio de Janeiro; QUE, em uma ou duas ocasiões, Frederick Wassef esteve na sede da Fecomercio acompanhado uma advogada cujo nome não se recorda; QUE o colaborador nunca mais encontrou Luiza Eluf, nem fez reuniões com ela; QUE o contato era todo executado pela interposta pessoa de Frederick Wassef; QUE Frederick Wassef optou por desconsiderar as sindicâncias internas e conduzir a apuraçã dos vazamentos mediante instauração de inquéritos policiais; QUE Frederick Wassef era muito instável e às vezes sumia por longos períodos; QUE isso provocou desgaste com o colaborador; QUE, então, o colaborador comentou com Marcelo Cazzo que não queria mais atender Frederik Wassef e que iria pedir para Marcelo Almeida passar a tratar de todos os assuntos direto com ele; QUE o colaborador estava avisando a Marcelo Cazzo acaso Frederick Wassef reclamasse com ele pelo fato de o colaborador não mais estar lhe atendendo; QUE, indagado sobre a real prestação de serviços por esse escritório, o colaborador esclarece que a contratação não valeu a pena, tampouco pelos valores que foram cobrados pelo contrato; QUE o colaborador realizou reuniões com o escritório, na pessoa de Frederick Wassef; QUE houve reuniões entre Frederick Wassef e Marcelo Almeida; QUE Luiza Eluf foi a única que questionou a forma de pagamento dos honorários advocatícios, fazendo questão de receber dos cofres da Fecomercio; QUE ela sabia que o objeto dos contratos dizia respeito ao SESC e ao SENAC, mas fazia questão de receber dos cofres da Fecomércio; QUE esse pedido, contudo, não foi atendido, tendo o escritório recebido pelo termo de cooperação e rateio de despesas.”

A propósito, Ivan Guimarães foi citado no mensalão por contratar pelo Banco Popular uma empresa ligada a Delúbio Soares. Seu nome voltou no petrolão, associado às operações envolvendo Aldemir Bendine, ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras.

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