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O esvaziamento das reuniões dominicais de Doria

O esvaziamento das reuniões dominicais de Doria
Foto: Governo do Estado de São Paulo

Tucanos próximos a João Doria avaliam que o “movimento brusco” de ACM Neto, que levou o DEM para mais perto de Jair Bolsonaro, é, sim, um baque para o projeto presidencial do governador de São Paulo.

Em 2018, durante a campanha ao governo, o então prefeito Doria começou a reunir, todo domingo, lideranças políticas de vários partidos em sua casa, no Jardim Europa, área nobre da capital paulista. Geralmente, o cardápio incluía pizza. Já naquele momento, as conversas indicavam a pavimentação para a candidatura de Doria ao Planalto.

Depois, os encontros dominicais passaram a ocorrer no comitê de campanha, que acabou virando a nova sede do PSDB. Os convidados eram seletos e recebiam a orientação para manter a discrição quanto ao conteúdo das reuniões.

Uma vez eleito, o governador Doria mudou de novo o local dos encontros políticos, transferindo-os para o Palácio dos Bandeirantes, mas sempre aos domingos. As rodadas de pizza durante o dia deram lugar a um farto café da manhã na sede do governo local, começando pontualmente às 7h.

Desde os primeiros convescotes, ainda na mansão de Doria, os convidados precisam deixar o celular fora do ambiente. E, em sua fala (“muito organizada e planejada”, observou um participante), o governador pede encarecidamente que os assuntos tratados ali não vazem para a imprensa. A pandemia fez com que os encontros passassem a ser quinzenais.

O presidente nacional do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira, já frequentou o encontro de Doria. A O Antagonista, ele negou, porém, que tenha deixado de ir por “rompimento” com o governador. “Eu fui uma vez, quando o Republicanos decidiu apoiá-lo ao governo. Depois, virou um núcleo bem fechado. Eu não fui mais, para não ficar ouvindo falarem, falarem e não falarem nada. Mas não tem nada a ver com rompimento”, disse.

Doria costuma chamar os encontros de “reunião do conselho político”. Na prática, é uma forma de tentar construir sua candidatura nacional e ir testando os apoios.

Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, também já participou das reuniões. O Antagonista não conseguiu, até a publicação desta nota, contato com o ex-prefeito de São Paulo. Um político próximo a Kassab disse que ele pode ter deixado de ir porque “não desistiu completamente de tentar o governo em 2022”. Até aqui, o candidato de Doria é seu vice, Rodrigo Garcia, hoje no DEM.

Um integrante da executiva nacional do PSDB resumiu assim:

“Certamente, quem mais perdeu com esse movimento brusco do ACM Neto foi o Doria. A gente entende [esse movimento] como o Neto se descolando do projeto do Doria. Ele está sinalizando que não quer caminhar junto ou, pelo menos, não quer se comprometer agora. Talvez o Neto queira não ter a obrigatoriedade do compromisso com o Doria. E estava tudo sendo encaminhado, tudo andando para o PSDB caminhar junto com o DEM e o MDB. Até virar a página dois.”

Alguns tucanos ainda querem acreditar que o esvaziamento das reuniões se deu única e exclusivamente em razão da pandemia.

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