O frenético balcão de negócios em Brasília às vésperas das eleições no Congresso

O frenético balcão de negócios em Brasília às vésperas das eleições no Congresso
Foto: Adriano Machado/Crusoé

Na reta final das campanhas para presidentes da Câmara e do Senado, o balcão de negócios em Brasília está frenético.

Na Câmara, Arthur Lira (Progressistas), o favorito na disputa, conta com o apoio da máquina do governo federal: sua base e as dissidências do lado adversário não foram conquistadas da noite para o dia. O trabalho de convencimento pessoal, ao estilo Eduardo Cunha, teve apoio robusto do Planalto, que, para eleger seu candidato, abriu a torneira com verbas extras e distribuiu cargos de toda sorte.

O deputado Áureo, do Solidariedade, admitindo que perdeu três cargos por ter declarado apoio a Baleia Rossi (MDB), é apenas um exemplo revelado.

A construção da candidatura de Lira se fortaleceu em 2020, em meio à pandemia da Covid-19, quando o deputado de Alagoas foi ao Planalto fazer vídeos e tirar selfie com o presidente da República.

Não custa lembrar que autarquias e superintendências de órgãos federais nos estados foram todas loteadas para o Centrão. A Funasa ficou com o PSD, por meio de indicações do atual líder da bancada na Câmara, Diego Andrade. O Progressistas, de Ciro Nogueira e de Lira, seu pupilo, garantiu espaços no FNDE e na Conab, por exemplo. O PL, de Valdemar Costa Neto, também pegou fatias do FNDE. A Codevasf continua sendo comandada pelo grupo de Elmar Nascimento, do DEM.

Do fim de 2020 para cá, milhões em emendas extras foram liberados para parlamentares aliados do Planalto, como parte do plano para fazer Lira presidente da Câmara. Parlamentares como Domingos Neto (PSD) e Wellington Roberto (PL) estão entre os campeões de recebimento desses recursos, liberados sem critério definido e sem transparência.

No Senado, Luiz Eduardo Ramos, o ministro-chefe da Secretaria de Governo, passou a atuar, juntamente com Davi Alcolumbre, para garantir votos a Rodrigo Pacheco (DEM). A liberação de emendas extras, orquestrada pelo próprio senador do Amapá — em estratégia denunciada ainda no ano passado –, sempre esteve sobre a mesa de negociações.

“Bolsonaro está pagando para sobreviver politicamente. O grande drama da vida dele é o que eles fizeram no verão passado: ele, os filhos, o Fabrício Queiroz. Bolsonaro sabe que já descobriram tudo e ficou refém: ponto, é isso. O que ele está querendo é sobreviver. Os profissionais da política em Brasília perceberam isso e estão aproveitando como podem. Ciro Nogueira só sentiu o cheiro, viu essa necessidade de socorro do Bolsonaro e agora está prestes a comandar a Câmara, com Arthur Lira”, disse a O Antagonista um deputado do Centrão.

“Na Câmara, o governo está pagando até mais do que precisaria, porque o Rodrigo Maia se desgastou demais sozinho, com uma estratégia errada na condução de sua sucessão. Está mais ou menos assim: pede que você ganha [emendas e cargos]”, acrescentou o mesmo deputado.

Em Brasília, ninguém tem dúvida de que o Planalto fará uma reforma ministerial após as eleições no Congresso, como consequência dos acordos que estão sendo fechados. Jair Bolsonaro caminha para dar ainda mais espaço ao Centrão, inclusive na Esplanada, com a possibilidade de trocas de comando e a recriação de mais pastas.

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