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O "golpe do fundão" foi planejado

Deputados e senadores, em sua maioria, aprovaram o aumento em quase três vezes das verbas públicas para campanhas e agora estão de recesso
O “golpe do fundão” foi planejado
Foto: Adriano Machado/Crusoé

O aumento das verbas públicas para financiar campanhas políticas — de R$ 2 bilhões para cerca de R$ 5,7 bilhões — foi planejado e acordado previamente com a maioria das lideranças partidárias na Câmara e no Senado.

O “golpe do fundão” passou junto com a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), relatada pelo deputado Juscelino Filho, do DEM do Maranhão, que presidiu o Conselho de Ética da Câmara até abril deste ano.

“Todos sabemos que ano que vem é ano eleitoral, e o Fundo de Financiamento de Campanha tem papel no exercício da democracia dos partidos”, disse o relator, ao defender o aumento do fundão.

A votação, como noticiamos ontem, foi a toque de caixa. O relatório só foi apresentado na noite de quarta-feira, perto da meia-noite. Na manhã do dia seguinte, véspera do início do recesso de deputados e senadores, o texto recebeu o aval da Comissão Mista de Orçamento (CMO) e, em seguida, levado para a apreciação em sessão do Congresso.

Os primeiros a aprovarem a LDO foram os deputados, por 278 votos a 145, com uma abstenção. O texto-base aprovado incluía o aumento do fundão.

Àquela altura, já se sabia que, em seguida, seria votado um destaque apresentado pelo partido Novo para tentar retirar o “golpe do fundão” da proposta. O destaque, porém, foi rejeitado em rápida votação simbólica, ou seja, sem que ficasse registrado como votou cada deputado. Desde ontem à noite, muitos parlamentares que votaram a favor da LDO e se dizem contrários ao aumento do fundão estão registrando no sistema da Câmara esse posicionamento a favor do destaque do Novo.

No Senado, a LDO e o aumento do fundão receberam o apoio de 40 senadores; 33 votaram contra.

Ninguém no Parlamento pode dizer que foi pego de surpresa: o “golpe do fundão” foi devidamente planejado.

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