O inconformismo com o vídeo raivoso de Bolsonaro

O inconformismo com o vídeo raivoso de Bolsonaro
Foto: Adriano Machado/Crusoé

Nas conversas ao pé do ouvido hoje, no Palácio da Alvorada, lideranças partidárias ainda não se conformavam com aquele vídeo raivoso gravado por Jair Bolsonaro, no último dia 15, enterrando a proposta de congelamento de aposentadorias para bancar o programa assistencial do governo.

A avaliação é a de que o presidente foi, como de costume, afoito e intempestivo e acabou “jogando no lixo” o que muitos reunidos naquela sala mais cedo entendiam como melhor opção para garantir a receita ao Renda Cidadã: a desindexação da economia, que, naturalmente, poderia provocar o congelamento de aposentadorias por um tempo.

Para algumas lideranças, seria muito mais fácil construir uma narrativa em torno da desindexação do que do uso de parte dos precatórios e do Fundeb, como acabou sendo decidido e anunciado hoje.

O primeiro erro teria sido, portanto, o vazamento da possibilidade de congelamento de pagamentos, antes de um anúncio oficial. Mas o segundo erro, considerado ainda mais decepcionante, foi o do próprio presidente, que gravou um vídeo colocando uma pá de cal no assunto, com o forte argumento de que não admitiria “retirar de pobres para dar para paupérrimos”. Com aquele gesto, ficou simplesmente impossível insistir naquela alternativa, embora fosse a ideal, frisa-se, para muitos dos atores envolvidos nas discussões.

Ninguém, no entanto, tem coragem de dizer isso para o presidente.

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