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O malabarismo bolsonarista

Deputados de primeiro mandato agora, para tentar continuar no poder em Brasília, terão de fazer um baita esforço mental para explicar alianças com o Centrão
O malabarismo bolsonarista
Foto: Reprodução/Redes sociais

Os deputados que se gabam como “bolsonaristas raiz” estão com a vida complicada para 2022.

Essa turma novata terá de, em seus estados, tentar explicar por que Jair Bolsonaro não cumpriu nada do que prometeu e ainda caminhou no sentido contrário em muitas pautas, sobretudo quando se trata de combate à corrupção.

O grupelho terá de admitir o fracasso na tentativa de criação de um partido para eles — a Aliança pelo Brasil — e achar um jeito de fazer o eleitor entender (ou não) que eles serão obrigados a se filiar ao… Centrão.

O mesmo Centrão atacado por Bolsonaro e seus filhos desde sempre, e que caiu na boca de Augusto Heleno, na eterna paródia cantada em 2018 pelo general: “Se gritar pegar Centrão, não fica um, meu irmão…” Não deixemos esse samba morrer.

É o mesmo Centrão também que os ilustres bolsonaristas escolheram como alvo nas primeiras manifestações pró-Bolsonaro, ainda em 2019, no gramado em frente ao Congresso. Gritavam do alto de carros de som contra o tal Centrão e erguiam faixas com chacotas relacionadas ao grupo fisiológico do Congresso.

Agora, sobrou pouca coisa a esses bolsonaristas, que um dia acharam que poderiam contar com a predileção de Bolsonaro.

Bolsonaro casou-se com o Centrão e os bolsonaristas traídos, se não quiserem mudar de vida, terão de passar a negociar com gente graúda nos porões brasilienses para, quem sabe, conseguir algum espaço ou algum tostão considerável na busca da reeleição em 2022.

Sim, eles vão buscar a reeleição: se há uma coisa que une todos ali é o prazer pelo poder.

Bolsonaro — aquele que já preferiu receber o cantor de axé Netinho a se reunir com esses bolsonaristas em um fim de semana (relembre aqui) — decidiu, enfim, que vai se filiar ao PL, cujo dono é o mensaleiro Valdemar Costa Neto, no próximo dia 22.

Desde ontem, O Antagonista traz notícias sobre o que esses bolsonaristas pretendem fazer da vida: estão zonzos, essa é a verdade; e fingem não saber, talvez por negacionismo agudo, que, na hora das disputas internas, serão engolidos pelos, digamos, mais “experientes”.

Um deputado bolsonarista, pedindo reserva, disse a este site que, no fim das contas, veja só você, o PL foi considerado até “uma boa escolha” do presidente, porque “o pior cenário”, segundo esse parlamentar, seria o PP de Ciro Nogueira, aquele ex-lulista e ex-dilmista que hoje é ministro-chefe da Casa Civil de Bolsonaro.

“O PP ficou muito queimado durante a Lava Jato. Já o PL, menos”, comparou a fonte.

Bem, deputados eleitos pela primeira vez, com celular na mão, na esteira do bolsonarismo, se deslumbraram com Brasília, viram-se reféns do apoio a um projeto político que não se confirmou, foram chutados pelo presidente de quem esperavam fidelidade e agora precisam encontrar argumentos para dizer que o PL de Valdemar é “menos pior” que o PP de Ciro.

Fim.

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