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"O PT age como um partido comunista das antigas"

Demétrio Magnoli usa no Globo as distintas declarações dos secretários de Relações Internacionais de PT e PSOL sobre a ditadura de Daniel Ortega na Nicarágua para distinguir o perfil dos dois partidos de esquerda.

“No plano internacional, a ‘pátria ideológica’ do PT é a Cuba castrista. Nem sempre foi assim. Na década de 1980, a revista teórica petista qualificou o regime castrista como uma imperdoável ditadura. Tudo mudou em 1990, quando Lula e Fidel Castro criaram juntos o Foro de São Paulo. O Foro, articulação de partidos da esquerda latino-americana, foi inventado para servir como escudo diplomático do regime dos Castro, que cambaleava sob o golpe da queda do Muro de Berlim. Dali em diante, o PT sujeitou-se ao ‘controle externo’ cubano em todos os temas essenciais para o castrismo.

Há pouco, diante do Foro reunido em Cuba, Dilma Rousseff e Mônica Valente, secretária de Relações Internacionais do PT, caracterizaram as manifestações populares na Nicarágua como parte de ‘uma contraofensiva neoliberal, imperialista’. Maduro, Ortega, pouco importa o nome: o partido de Lula não faz distinções entre governos alinhados com Cuba. O PT age como um partido comunista das antigas — só que, no lugar de Moscou, seu coração mora em Havana.

A candidata petista Marcia Tiburi cultiva o hábito de denunciar o ‘exercício de poder sobre o corpo’ mas não se comove com os ‘exercícios de poder’ dos regimes de Maduro ou de Ortega contra os ‘corpos’ de manifestantes desarmados. O PSOL, ao contrário, distingue nitidamente um cassetete do outro. ‘Há muito tempo a gente não via na América Latina um governo com esse nível de repressão’, clamou Israel Dutra, secretário de Relações Internacionais do partido, comparando Ortega ao sírio Bashar al-Assad. É que, para o PSOL, só regimes ‘revolucionários’ têm o privilégio de violar as liberdades públicas.

A Venezuela destruiu sua economia em nome do socialismo. Por isso, segundo o PSOL, o cassetete chavista é virtuoso. Ortega, por outro lado, segue fielmente a cartilha do FMI. Na Nicarágua, a esquerda cindida com o sandinismo participa ativamente da onda de protestos contra o governo. Por isso, segundo o PSOL, o cassetete sandinista é vicioso.”

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