ACESSE

O sindicalismo não desistiu de pegar o seu dinheiro, trabalhador

Telegram

Na semana passada, Rodrigo Maia participou de uma webconferência na qual criticou suavemente a reforma trabalhista que extinguiu a contribuição sindical obrigatória — aquele confisco de parte do salário do trabalhador que os sindicalistas ideológicos e de resultados tinham direito de fazer, sem que se perguntasse ao cidadão se ele queria ou não ser tungado, mesmo que fosse de mentirinha.

O presidente da Câmara disse o seguinte:

“A votação da lei trabalhista que eu conduzi teve um papel importante. De fato, a legislação brasileira, não estimulava o emprego e não protegia o trabalhador. Havia um poder excessivo nos sindicatos, mas o outro lado (o dos patrões) formou maioria e levou o pêndulo para um lado que, agora, precisa ser reorganizado em um ponto de equilíbrio.”

E mais:

“Acho que a legislação trabalhista foi modificada de forma correta, mas acho que na questão dos sindicatos ela foi dura demais. Não podemos nos esquecer de que o principal ato inicial quando Hitler virou chanceler foi acabar com os sindicatos.”

E ainda:

“Não tenho dúvida nenhuma de que os sindicatos têm que ter condições de financiar seu trabalho de representação na sociedade. Não com aquele mesmo volume de financiamento que gerava uma distorção e que acabou gerando uma reação da sociedade, mas é bom termos os sindicatos participando da nossa vida democrática. Hoje, muitos deles enfrentam dificuldades, o que não é bom.”

Já que Maia mencionou Hitler, também se pode mencionar a ditadura chinesa, repleta de sindicatos comandados pelo regime, para demonstrar o contrário. O Brasil não fica longe em matéria de manipulação política. Aqui, os sindicatos são braços de partidos de esquerda ou pulmões de aluguel para agremiações meramente fisiológicas. Ou seja, a contribuição sindical obrigatória era financiamento indireto a políticos — um complemento de 2,4 bilhões de reais por ano ao fundo partidário, igualmente financiado por trabalhadores, por meio de impostos. Com a reforma, a dinheirama passou a ser de 207 milhões de reais.

Sindicatos teriam de defender os direitos dos trabalhadores, não fazer proselitismo para fortalecer ou enfraquecer governos e enriquecer os seus chefões. São entidades às quais o trabalhador deve aderir por vontade própria, jamais por imposição. E não podem ser organizadas — ou reorganizadas, como disse Maia — via poder político. O Congresso não tem nada a ver com isso. Trata-se de mistura de estações indevida, para dizer o mínimo.

No Brasil, é assim que se volta a estragar o que foi consertado: suavemente.

Ouviu, Paulinho?

Leia mais: Um amigo aconselhou Bolsonaro a renunciar. O presidente resiste. E tem um plano para ir até o fim

Comentários

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade é do autor da mensagem. Em respeito a todos os leitores, não são publicados comentários que contenham palavras ou conteúdos ofensivos. Tempo de publicação: 4 minutos
Ler 103 comentários