Odebrecht acusada de corromper no Panamá

O ex-gerente da Petrobras, Pedro Barusco, recebeu propina de 1 milhão de dólares da Odebrecht, em contas abertas no Panamá, onde a empreiteira tem negócios. E que negócios.

De acordo com o jornal O Globo, a divisão antimáfia do Ministério Público italiano tropeçou na Odebrecht enquanto investigava os crimes do jornalista picareta Valter Lavitola, que era muito ligado a Silvio Berlusconi, morou no Brasil e dizia ser amigo de Lula. Valter Lavitola foi condenado a quase três anos de prisão na Itália por tentar extorquir Berlusca e, recentemente, pegou cana de mais três anos por prejudicar a empresa Impregilo, num esquema que combinava extorsão e corrupção.

Com forte presença no Panamá, onde ajudou a fazer a extensão do canal que liga o Atlântico ao Pacífico, a Impregilo estava na concorrência para fazer uma linha de metrô na capital do país, em 2010, mas foi vencida por um consórcio formado pela Odebrecht e a empresa espanhola FCC, apesar da proposta 50 milhões de dólares mais barata. O ministério público italiano, que continua a levantar os negócios escusos de Valter Lavitola, reuniu vários indícios de que o consórcio da Odebrecht ganhou a licitação porque pagou propina ao sujeitinho — que administrava e lavava dinheiro sujo para o então presidente do Panamá, Ricardo Martinelli.

Em entrevista a Joan Soles, jornalista espanhol, Valter Lavitola confirmou ter prejudicado a Impregilo e disse que arrecadou e lavou 850 milhões de dólares em propinas de diferentes origens para o presidente Ricardo Martinelli, dos quais 300 milhões de dólares vieram da Odebrecht.

A Odebrecht agora está mira do Ministério Público da Itália, que entregou ao juiz encarregado das lambanças de Valter Lavitola um dossiê sobre o envolvimento da empreiteira brasileira no Petrolão. Se o juiz aceitar que se inclua a Odebrecht no caso, ela será enredada num caso de corrupção internacional.

Ah, sim, a empreiteira negou veementemente.