Odebrecht enviou US$ 278 milhões para offshores

O laudo 2311 da Polícia Federal, que reproduzimos aqui ontem, é primoroso e uma fonte quase inesgotável de informações. Ele disseca as operações bancárias do grupo Odebrecht no exterior entre os anos de 2006 e 2014, período em que a companhia movimentou um total de US$ 278 milhões.

O dinheiro saiu de contas bancárias da construtora e de outras quatro subsidiárias para abastecer cinco offshores “de passagem”, por onde o dinheiro circulava antes de ser remetido a outras offshores operadas por ex-diretores da Petrobras apadrinhados por PT, PMDB e PP.

Os infográficos abaixo falam por si.

A offshore Havinsur S.A., por exemplo, recebeu US$ 24,8 milhões e repassou US$ 564 mil para a Milzart Overseas Holding, de Renato Duque, homem de confiança de José Dirceu.

A Arcadex Corp. recebeu US$ 71,3 milhões e repassou várias quantias. Um valor de US$ 63,7 mil foi depositado na Tudor Advisory, de Jorge Zelada, indicado pelo lobista João Henriques, com apoio do PMDB mineiro, e depois apadrinhado por Eduardo Cunha. Outros US$ 435 mil foram para a Milzard, de Duque.

A Smith & Nash recebeu US$ 45,4 milhões e repassou para as contas da Sagar Holding (US$ 3,4 milhões) e CHF (1,9 milhão), de propriedade de Paulo Roberto Costa. Parte do dinheiro também foi para a Constructora Internacional de Sur e Klienfeld Services.

A Golac Projects recebeu US$ 48 milhões e repassou US$ 73,4 milhões para as offshores Constructor Del Sur, Innovation Development e Klienfeld. A Klienfeld também foi destino de outros US$ 82,7 milhões repassados pela offshore de trânsito Sherkson International.

A Constructora Del Sur repassou US$ 3 milhões para a Milzart, de Duque; para a Quinus Services, de PRC, e para a Pexo Corporation, de Pedro Barusco. Essas mesmas empresas também receberam outros US$ 2,6 milhões da Klienfeld. A Golac repassou US$ 4,3 milhões para as contas da Pexo, de Barusco, e Sygnus Assets, de Paulo Roberto.

Essas operações confirmaram uma “triangulação financeira” entre contas das empresas do Grupo Odebrecht e contas de offshores vinculadas a executivos da Petrobras vinculados a partidos e políticos. Não há defesa possível.

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