Operação Marquês: escritório ligado a Dirceu recebeu 1 milhão e 230 mil euros

O site português Observador traz uma reportagem sobre o interrogatório de Ricardo Salgado, ex-presidente do Banco Espírito Santo, aos procuradores da Operação Marquês, a Lava Jato portuguesa.

Ricardo Salgado é acusado de ter corrompido o ex-primeiro-ministro José Sócrates, de apropriar-se de milhões de euros da Espírito Santo Enterprises, de tráfico de influência, fraude fiscal e lavagem de capitais. O menu completo.

Lá pelas tantas, os procuradores lhe perguntaram por que o Grupo Espírito Santo pagou 30 mil euros por mês, entre março de 2011 e julho de 2014, ao escritório do advogado João Abrantes Serra, ligado ao de Luís Oliveira e Silva, irmão de José Dirceu. Os pagamentos totalizaram 1 milhão e 230 mil euros.

Para os procuradores portugueses, segundo o Observador, “não há dúvidas que, analisadas as contas bancárias onde essa avença mensal do GES era depositada, tais pagamentos reverteram em benefício de José Dirceu para alegadamente compensar as suas intervenções junto das autoridades brasileiras a propósito do negócio de compra (pela Portugal Telecom, umbilicalmente ligada ao Espírito Santo) de uma participação de 22% na Oi/Telemar”.

O escritório de João Abrantes Serra, de acordo com o Observador, também recebeu 511 mil euros da Portugal Telecom. “O objetivo era o mesmo: assessorar a operadora portuguesa nas negociações com os acionistas brasileiros da Oi e em contatos com as autoridades brasileiras a propósito do mesmo negócio”.

Ricardo Salgado, na sua resposta, mostrou-se surpreso com o fato de o dinheiro pago ao escritório de José Abrantes Serra ter ido para José Dirceu. Ele disse que não sabe nada, nadinha sobre a relação de José Dirceu com a Portugal Telecom.

Mais detalhes na TV Antagonista, com Madeleine Lacsko, às 16h.

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