Orlando Diniz: escritórios de advocacia acionaram OAB em 2016 para blindar contratos com a Fecomércio

Segundo Orlando Diniz, a contratação de Frederick Wassef, via Luiza Eluf, em 2016, se deu num contexto em que escritórios de advocacia estavam preocupados com a fiscalização do Tribunal de Contas da União sobre contratos milionários que tinham com a Fecomércio do Rio.

Num trecho da denúncia apresentada hoje contra o advogado, a Lava Jato do Rio anexou trecho da delação de Diniz em que ele conta que a preocupação levou as bancas a pedirem blindagem à OAB, para que a entidade atuasse junto ao Supremo para barrar a fiscalização do TCU.

Diniz disse acreditar que quem fez a interlocução com a OAB foi Cristiano Zanin.

Ele contou que contratos sigilosos da Fecomércio com os escritórios começaram a ser vazados, o que despertou interesse dos advogados em investigar o responsável. Ainda em 2016, a revista Época noticiou a contratação de Eduardo Martins, filho do presidente do STJ.

“Existia um clima tenso entre os escritórios; Que foi feita uma reunião em Brasília coordenada por Marcelo Cazzo com vários escritórios para definir uma estratégia para que os contratos não viessem a tona; Que a partir dessa reunião, mas não em decorrência dela (porque havia muita gente e nada foi resolvido de fato) foi solicitada a atuação da OAB para ajudar nessa blindagem dos escritórios perante a mídia e o TCU; Que a partir daí é que a OAB ingressou no STF para blindar o acesso do TCU aos contratos, acreditando que essa interlocução com a OAB quem fez foi Cristiano Zanin”, contou Orlando Diniz na delação, citada na denúncia.

No último dia 11, O Antagonista mostrou que, em 2017, liminares de Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli impediram que o TCU analisasse os contratos da Fecomércio com os escritórios.

Uma das ações foi apresentada pela OAB do Rio, que pediu a Lewandowski para barrar a fiscalização do TCU até que a entidade pudesse participar do processo. Em 22 de agosto daquele ano, o ministro concedeu a liminar apontando “risco de lesão irreparável”.

No dia 31 de outubro daquele ano, Toffoli deu outra liminar à OAB do Rio, suspendendo um julgamento no TCU sobre os contratos que estava marcado para o dia seguinte. Disse que tratava-se de uma “medida de precaução”.

 

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