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Os negócios suspeitos da Caixa com cartórios de políticos da base bolsonarista

O banco realizou pagamentos irregulares de pelo menos R$ 30 milhões a associações de cartórios vinculadas a políticos do Centrão
Os negócios suspeitos da Caixa com cartórios de políticos da base bolsonarista
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

A Caixa Econômica Federal efetuou pagamentos ilegais de pelo menos R$ 30 milhões a associações cartoriais associadas a políticos da base bolsonarista, segundo a IstoÉ.

A reportagem mostra que os repasses foram feitos no âmbito de contratos celebrados pelo banco presidido por Pedro Guimarães com seus clientes de financiamentos imobiliários, sem qualquer tipo de licitação. O assunto é investigado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Ainda de acordo com a revista, que teve acesso à íntegra do processo do CNJ, algumas dessas entidades cartoriais são comandadas por pessoas com bom trânsito junto ao Centrão, em especial políticos do Progressistas, de Ciro Nogueira, e do Partido Liberal, do mensaleiro Waldemar Costa Neto.

É o caso, por exemplo, do que acontece com a Associação dos Notários e Registradores de Alagoas (Anoreg-AL), chefiada por Rainey Barbosa Alves Marinho. Só a Anoreg-AL é dona de um contrato de cerca de R$ 18 milhões para prestar serviços cartorários para a Caixa. Além de cristão fervoroso, Marinho é protegido pelo deputado Arthur Lira, presidente da Câmara (PP-AL). Ele também revela ter contato com figuras importantes no cenário nacional.

Em nota oficial enviada a O Antagonista, a Anoreg negou qualquer irregularidade no caso:

A Associação dos Notários e Registradores do Brasil – Anoreg/BR vêm esclarecer que o convênio mencionado entre a Caixa e as associações foi firmado em 2017, o que por si só demostra que não há qualquer interesse ou favorecimento político, uma vez que trata-se de gestões distintas das atuais. Os serviços oferecidos estavam previstos em norma nacional instituída pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e em conformidade com disposições do Tribunal de Contas da União (TCU). Em junho de 2020, com a edição do Provimento nº 107, a autorização de cobrança foi suspensa, o que não impediu a continuidade da prestação de serviços, agora sem qualquer cobrança ao usuário. Recente Lei Federal – nº 14.206/21, publicada em setembro deste ano, autorizou novamente a cobrança, garantindo a justa remuneração pela prestação de um serviço público, delegado a particulares.

Como mostrou a Crusoé, a turma de Michelle Bolsonaro também foi beneficiada pela Caixa. A primeira-dama agiu, pessoalmente, para favorecer empresas amigas e adeptas do bolsonarismo no auge da pandemia. Empréstimos foram liberados pelo banco depois que ela falou com o presidente do banco, Pedro Guimarães, e enviou e-mails com uma lista de indicados: leia a reportagem aqui.

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