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Pacheco reúne líderes para discutir tramitação do novo Código Eleitoral; clima não é bom

Nos bastidores, há uma certa resistência para aprovar no Senado mudanças que possam valer já a partir do pleito do ano que vem
Pacheco reúne líderes para discutir tramitação do novo Código Eleitoral; clima não é bom
Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Rodrigo Pacheco mandou chamar os líderes, às pressas, para uma reunião no início da tarde desta quinta-feira (16).

Na pauta, entre outras coisas, a medição da temperatura para a tramitação do novo Código Eleitoral, aprovado na noite de ontem pelos deputados.

Para que as mudanças propostas possam valer em 2022, a votação do texto precisa ser concluída até 2 de outubro, ou seja, em duas semanas. Em meio a isso, o Senado precisará tentar avançar sobre outros projetos eleitorais, a PEC das coligações e a reforma tributária, por exemplo.

Ainda que acabem aprovando tudo o que veio da Câmara a toque de caixa e sem alterações, os senadores querem achar um jeito de dar um novo recado a Arthur Lira, de quem se queixam nos bastidores.

Há pouco, como registramos, Pacheco não garante que o Senado votará a tempo. O Antagonista apurou que ele deu a missão de passar a lupa nos cerca de 900 artigos aprovados pelos deputados aos senadores Antonio Anastasia (PSD), Carlos Fávaro (PSD) e Marcelo Castro (MDB).

Pacheco, acreditam alguns senadores mais próximos a ele, acabará jogando a decisão “nas mãos do plenário”, embora esteja levando em conta as reclamações que chegam a ele sobre o fato de o Senado confirmar a pecha de “carimbador” das articulações de Lira. No início deste mês, os senadores rejeitaram a minirreforma trabalhista validada pela Câmara.

Há um grupo crescente de senadores que entende que o novo Código Eleitoral “é muito complexo para ser discutido com tamanho rapidez”, o que não resultará necessariamente em uma não aprovação.

“Eu não tenho essa resposta ainda”, disse a este site Marcelo Castro, ao ser questionado se a proposta será aprovada para valer já em 2022. “Vamos nos reunir, checar os pontos mais polêmicos e, a partir daí, teremos essa avaliação”, acrescentou, sem cravar nada.

“Está tudo muito nebuloso. Há a avaliação de que o novo Código tem coisas boas, mas há também resistência em aprovar isso para valer já no ano que vem, em um momento tão difícil”, afirmou outra fonte que conhece bem as nuances do Senado.

O líder do Pros, Telmário Mota, disse a O Antagonista:

“Eu lamento que, mais uma vez, a Câmara dos Deputados, de forma deselegante, tente transformar o Senado em um órgão carimbador. Será uma votação de afogadilho.”

Jorge Kajuru, do Podemos, emendou:

“Se o Senado aprovar um Código Eleitoral, com quase 900 artigos, no prazo de duas semanas, vai assumir de vez a condição em que vem se colocando desde 2019: a de Casa carimbadora das decisões da Câmara. Sem entrar no mérito do projeto, espero que isso não ocorra.”

Kajuru acrescentou, resumindo um sentimento de outros senadores da chamada bancada independente:

“Aprovar um Código Eleitoral exatamente a um ano das eleições, neste clima de conturbação política em que vivemos, é reforçar na maioria da população a impressão de que político só se preocupa com os seus interesses.”

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