Para advogados, saída de Deltan será 'melhor para a Lava Jato'

Advogados criminalistas com clientes enrolados na Lava Jato gostaram da saída de Deltan Dallagnol da força-tarefa. Segundo contaram a O Antagonista, a troca no comando da operação, especialmente por um procurador que trabalhou na PGR, pode melhorar a interlocução de Curitiba com Brasília e reduzir os atritos que marcaram a operação durante este ano.

Além de, claro, aumentar a influência da cúpula do MPF sobre os trabalhos dos curitibanos.

Deltan anunciou sua saída da força-tarefa hoje, em decorrência de problemas de saúde da filha de um ano e dez meses. Será substituído pelo procurador Alessandro Oliveira, da equipe da subprocuradora Lindôra Maria Araújo, coordenadora da Lava Jato na equipe do procurador-geral da República, Augusto Aras.

Foi um movimento costurado em Curitiba, mas de olho no pedido de renovação da força-tarefa por mais 60 dias, pendente de apreciação por Aras.

Segundo os criminalistas ouvidos pela reportagem, depois de tantos anos e do sucesso da operação – tanto nos tribunais quanto na opinião pública –, a imagem de Deltan acabou desgastada e criando antagonismos dentro do MPF.

As recentes disputas em torno do acesso aos bancos de dados da Lava Jato, por exemplo, inviabilizaram a relação dos procuradores de Curitiba com a PGR, que já não vinham boas desde a gestão de Raquel Dodge.

A saída de Deltan pode, na visão desses advogados, apaziguar os ânimos e permitir o avanço de investigações pendentes.

E, principalmente, deve diminuir o ritmo do andamento dos casos. Se não pela ausência de Deltan, pelo tempo que leva tomar pé do tanto de trabalho que o novo integrante da Lava Jato terá pela frente.

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