Para ler Marta Suplicy — ou vacas que cospem, e não engolem

O artigo da senadora Marta Suplicy, publicado hoje na Folha, é, no contexto geral do PT, mais um lance dos lulistas para enfraquecer os dilmistas dentro do partido. Tem, portanto, o aval de Luiz Inácio — que permanece jogando em todas as posições possíveis de situação e oposição, tudo ao mesmo tempo agora. O petardo de Marta casa-se também com a proposta de o partido fazer uma “autocrítica” no próximo Congresso Nacional, e aí não importa se Marta ficará ou não no PT. A conveniência individual, aqui, pode ser mesmo sair, se não houver espaço para ela lançar-se candidata à prefeitura de São Paulo, em 2016. Nem por isso Marta deixará de ser lulista. Inclusive porque o lulismo sobreviverá a Lula e ao PT.

A pequena pista do que está em jogo para ela, no plano pessoal e mais imediato, está no final do artigo, quando fala do “trânsito congestionado, os ônibus e metrôs entupidos”, uma crítica específica ao que ocorre na cidade de São Paulo. Pau em Fernando Haddad, de quem ela gostaria de tomar a posição de candidato do PT em 2016, e pau no PSDB, visto que o metrô é estadual — se não der para concorrer na eleição municipal, sob qualquer legenda, Marta deseja lançar-se ao governo do Estado, em 2018, igualmente sob qualquer legenda.

Em resumo, estamos assistindo:

a) a uma luta entre lulistas e dilmistas dentro do PT, com Lula aqui e lá, dançando todas as músicas

b) ao anunciado teatro da autocrítica do PT no próximo Congresso Nacional

c) ao movimento das ambições da própria Marta

d) ao início da batalha pelo espólio de Lula, cuja saúde não está grande coisa

Não se trata mais de vacas tossirem e engasgarem. Mas de cuspirem, e não engolirem, para continuarem pastando no bem bom.