Partiu intercâmbio!

Partiu intercâmbio!
Foto: Divulgação

O Antagonista publicou mais cedo uma entrevista com o orientador do doutorado de Kassio Marques, que confirmou a defesa da tese no mês passado por videoconferência. Mas há itens de seu currículo que precisam ser esclarecidos e outros que, definitivamente, não correspondem à realidade – sugerindo que o desembargador turbinou artificialmente sua carreira acadêmica.

Na página do TRF-1, consta que o desembargador teria pós-doutorado em Direito Constitucional pela Universidade de Messina (Università Degli Studi di Messina), na Itália.

Uma busca simples no Google exibe uma série de notícias de sites de intercâmbio oferecendo ‘pós-doutorado’ em Direito pela Universidade de Messina, que teria firmado convênios com instituições privadas brasileiras, como o Instituto Internacional de Educação Superior (IIES).

Kassio confirma, via assessoria, que fez o curso oferecido pelo IIES com aulas presenciais no Brasil, em 2017, e conclusão, em 2018, na Itália.

À Crusoé, a Universidade de Messina disse que o curso tem o valor de um “ciclo de seminários”.

Além disso, o IIES não é credenciado ao MEC, identificando-se meramente como “instituto de intercâmbio”. Nesse modelo, o aluno paga o curso, assiste a seminários em Belo Horizonte durante uma semana e depois apresenta seu ‘paper’ em Messina, num encontro de dois dias.

Em seu currículo, o desembargador diz ter também pós-graduação em contratação pública, na Universidade de La Coruña, na Espanha, mas, segundo O Globo, trata-se novamente de um curso de extensão, que durou 5 dias. O programa foi realizado entre 1 e 5 de setembro de 2014 e teve carga horária de 40 horas.

Há ainda referência a outro pós-doutorado em Direitos Humanos, pela Universidade de Salamanca, mas no site da instituição não há informação sobre o curso. Marques não possui currículo na plataforma Lattes, cadastro usado no Brasil por pesquisadores acadêmicos.

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