Pensem como um petista

Tentem pensar como um petista do comando do partido, apenas do ponto de vista político, e não policial:

— Se os três petistas votassem em favor de Eduardo Cunha, no Conselho de Ética, a imagem do partido, que já está em ruínas, apodreceria de vez;

— Votar em favor de Eduardo Cunha não significaria o fim da chantagem com o pedido de impeachment. Eduardo Cunha continuaria a usá-lo para pressionar o PT;

— Se o pedido de impeachment for acolhido, o PT adiantará um destino incontornável, haja vista que os escândalos continuarão a avolumar-se e a economia, sob Dilma, não tem a menor chance de recuperação. Enfrentar a realidade é, no caso, melhor do que fugir dela;

— Uma vez acolhido o pedido de impeachment, o foco passará a ser Dilma Rousseff e deixará de ser Lula e o próprio partido, se estes a abandonarem aos tubarões;

— No caso do acolhimento, é melhor que Dilma Rousseff renuncie ao cargo do que permaneça sangrando, inclusive para a própria, embora ela ainda não tenha se dado conta disso. Se o motivo do impeachment forem as pedaladas fiscais, tanto melhor, porque o povão não entende exatamente o que seja isso;

— Se Dilma Rousseff for saída do Planalto, o PT passará a ser oposição e poderá ter um discurso. Hoje, o partido não tem mais discurso, a não ser o da defesa que oscila entre lamurienta e agressiva. Nas eleições de 2016, o PT poderá, inclusive, atribuir mentirosamente ao sucessor os seus fracassos na economia;

— Por último, mas não menos importante, é melhor sacrificar uma rainha que não reina (Dilma) a perder, sem nenhuma oportunidade de recuperação, um rei sem o qual o partido desaparecerá de vez e cuja imagem se desgasta também em função do poste que colocou na Presidência da República (Lula)