Pertence protelou investigações contra Pimentel

Enquanto presidiu a Comissão de Ética Pública da Presidência da República, o ex-ministro do STF Sepúlveda Pertence protelou ao máximo a decisão de abrir ou não duas investigações sobre a conduta de Fernando Pimentel, então ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Pimentel usou um avião fretado por João Dória para participar de um encontro empresarial na Itália, em outubro de 2011, e prestou consultorias para a Federação das Indústrias de Minas Gerais, entre 2009 e 2010, comandada à época pelo amigão Robson Andrade, hoje presidente da CNI. O servicinho rendeu R$ 2 milhões, e dirigentes da própria entidade afirmaram desconhecer qualquer trabalho realizado por ele.

Na reunião da Comissão de Ética em que se pronunciou sobre o assunto, Pertence decidiu conceder um prazo para que Pimentel desse explicações sobre os episódios.

“Sem fazer nenhum juízo de mérito por ora sobre as acusações correntes ao ministro do Desenvolvimento, resolvemos dar-lhe a oportunidade de se manifestar para que então possamos ajuizar se existe essa situação excepcional em que se justificaria a abertura de um processo de ética, embora os fatos veiculados sejam todos eles anteriores a sua posse no Ministério”, ponderava Pertence, em entrevistas.

No mês seguinte à renúncia de Pertence – alegando, oficialmente, insatisfações com a composição do colegiado –, as investigações foram arquivadas sem qualquer punição ao então ministro.

Mais cedo, O Antagonista publicou, com exclusividade, que Pertence levou R$ 500 mil para elaborar um parecer favorável a Pimentel.

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