“Pode me chamar de Sabrina”

A delação premiada de Pedro Barusco deveria ganhar o Prêmio Jabuti de melhor obra de não-ficção. O Antagonista Mario a lê e relê com a mesma disposição com que o delator, Renato Duque, Paulo Roberto Costa, João Vaccari Neto, os demais operadores e as empreiteiras roubavam a Petrobras “diuturnamente e noturnamente”, como diria Dilma Rousseff, a ex-guerrilheira de esquerda.

Há aspectos fascinantes, como a planilha em que Pedro Barusco registrava o faturamento e as propinas do estaleiro Jurong. Foi nessa planilha que ele usou a sigla MW, da música My Way, para registrar o butim destinado a Renato Duque — e que batizou a última operação da PF contra esses canalhas. O que mais encantou o Antagonista Mario, contudo, foi como Pedro Barusco, na mesma planilha, chamava a si próprio. Já havia sido noticiado, de modo muito breve, como se fosse detalhe insignificante, mas eu, Mario, queria ler para crer e publicar na frente do armário. Pedro Barusco era “Sabrina”.

Por que Sabrina? Porque é o nome de uma ex-namorada sua. Os corruptos também amam.

Sabrina, ou os corruptos

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