Por que confiamos no juiz Sergio Moro

Alguns leitores pedem a nossa opinião sobre a condução das investigações sobre a participação dos políticos no escândalo de corrupção da Petrobras. 
Pois bem, temos total confiança no juiz Sergio Moro. Não fosse por ele, auxiliado pelos bravos procuradores federais do Paraná e pela PF, provavelmente jamais saberíamos sobre a maior lambança da História do Brasil e as suas vísceras. 
O juiz Sergio Moro não pode abrir inquéritos ou processos sobre os desvios e roubos perpetrados por políticos. Essa é uma atribuição do Supremo Tribunal Federal, visto que essa gente tem direito a foro privilegiado. Mas o juiz Sergio Moro está sendo muito hábil no recolhimento de nomes de políticos citados por ex-diretores da Petrobras, empreiteiros e operadores. Tanto que Rodrigo Janot, agora em fevereiro, trará a público quase uma centena desses nomes. O juiz Sergio Moro não pode falar em projeto de poder do PT, mas está fornecendo provas concretas disso. O depoimento de Augusto Mendonça, da Toyo Setal, cujos vídeos foram divulgados ontem, são contundentes nesse sentido, por exemplo. Augusto Mendonça confirma que Renato Duque, então um dos diretores da Petrobras, pediu que ele depositasse dinheiro de propina diretamente no caixa de campanha do partido.
Além disso, por meio dos acordos de delação premiada, o juiz Sergio Moro vem conseguindo quebrar a estratégia conjunta de defesa das empreiteiras. Nesse momento, os advogados delas competem entre si para ver quem entrega antes os figurões políticos que estavam no comando da cadeia de corrupção.
O fato — confessado e documentado — de as empreiteiras terem formado cartel para participar de concorrências não elimina a responsabilidade dos diretores da Petrobras e dos políticos que os teleguiavam. Pelo contrário, até aumenta, dado o grau de intimidade entre empreiteiras, diretores da empresa e políticos. 
O juiz Sergio Moro não acredita que as empreiteiras foram simplesmente “extorquidas”, porque seria um imbecil. Mas, evidentemente, não pode impedir que os advogados delas sigam este ou aquele caminho de defesa. O que está claro é que, se houve comportamento que possa ser configurado como “extorsão”,  ele contou com o beneplácito de quem foi “extorquido”. A prova disso é que não houve denúncia a respeito ou tentativa de dar flagrante nos operadores e beneficiários do propinoduto — e, atenção, bastava apenas uma minicâmera para entregar todo o mundo, tal como no caso do mensalão, que começou com uma simples gravação em vídeo de um funcionário dos Correios, ligado ao PTB, levando bola. O que está certo é que os “extorquidos” mancomunaram-se com os diretores da Petrobras e os seus chefões no Legislativo e Executivo, para anularem a “extorsão” e auferirem lucro imenso por meio do superfaturamento dos custos dos serviços para os quais foram contratados.
Se os políticos do PT, PMDB e PP escaparem ou tiverem penas mínimas ao final do processo, não será por culpa da condução dos trabalhos do juiz Sergio Moro, mas da falta de vergonha dos ministros do Supremo Tribunal Federal.
O juiz Sergio Moro trabalha ativa e altivamente em prol do Brasil, em que pesem as pressões que recebe do governo, dos ataques dos blogs sujos e da incompreensão de que por vezes é vítima.

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