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Por que Malafaia prefere André Mendonça para o STF

Por que Malafaia prefere André Mendonça para o STF
Foto: Isac Nóbrega/Marcos Corrêa/PR

Como mostramos mais cedo, Silas Malafaia tem feito lobby no STF contra uma eventual indicação do presidente do STJ, Humberto Martins, à vaga que será deixada por Marco Aurélio a partir de 6 de julho deste ano. O candidato preferido do pastor é o atual AGU e ex-ministro da Justiça, André Mendonça.

A O Antagonista o pastor disse que, se Jair Bolsonaro não indicar para a próxima vaga no Supremo um evangélico, “não entra mais numa igreja e não entra nem em casa, porque a mulher é evangélica”. E, segundo o pastor, “o cara da vez” é André Mendonça.

Líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, ele diz, no entanto, que a avaliação não é dele, mas do próprio presidente, com quem fala frequentemente.

“Hora nenhuma exigimos isso. O presidente foi quem, na campanha eleitoral, e devido à grandeza populacional dos evangélicos, disse que não tinha nada demais o Supremo ter um ministro evangélico. E nos eventos, acrescentou mais um dado, além de evangélico, ‘terrivelmente evangélico’. E o presidente mesmo disse: ‘Como é que eu fico? Se não indicar, não vou mais poder entrar em nenhum evento evangélico. Tenho que cumprir minha palavra'”, diz Malafaia.

A proximidade entre Silas Malafaia e Jair Bolsonaro não é nova. O pastor defende o presidente da República sempre que pode, mas sem deixar de criticá-lo quando julga necessário. Um exemplo pôde ser visto na indicação de Kassio Nunes Marques para o STF.

Malafaia, ao criticar a indicação, chegou a dizer que é “aliado, mas não alienado”. Segundo o pastor, a ida do então desembargador federal para o STF, favoreceria “o PT, toda a esquerda, o Centrão, os corruptos e todos os que são contra a Lava Jato” porque Nunes Marques não é “terrivelmente evangélico” nem “terrivelmente de direita”.

Desde o mês passado, quando esteve com o próprio Bolsonaro no Planalto, Malafaia tem demonstrado oposição ao presidente do STJ, Humberto Martins, que também disputa a vaga. Disse que ele não encarna o “terrivelmente evangélico”, perfil prometido pelo presidente na próxima indicação. Não é o caso de André Mendonça, segundo o pastor.

“Não é por uma questão de ser só evangélico. É um cara preparadíssimo para essa função. Juridicamente é um Zé Ruela? Não senhor. É um cara muito competente. E é um cara pacífico, tranquilo, não gosta de guerra. E é do pensamento ideológico do Bolsonaro”, diz o pastor.

Interlocutores dizem que Bolsonaro vê em Mendonça uma figura “confiável e dócil”. A docilidade não pode ser confundida com subserviência. O adjetivo, disseram, é dado pela capacidade de Mendonça de saber ouvir a todos e trilhar o caminho menos conflituoso.

Outro ponto que conta a favor de Mendonça é o carinho que Michelle Bolsonaro tem por ele. A primeira-dama já frequentou os cultos que Mendonça prega aos domingos, em Brasília, em diversas ocasiões.

Para Bolsonaro, disse um interlocutor, a indicação de André Mendonça é uma “chance de ouro” de cumprir a promessa de indicar um evangélico para o STF e agradar essa parcela tão importante de seu eleitorado.

“Sem os evangélicos sobram apenas os homens brancos de classe média alta e da elite. Não se ganha eleição só com isso. Os evangélicos dão cor e gênero ao presidente”, afirmou.

Por outro lado, pesa contra o atual AGU sua fidelidade a Bolsonaro em defesa, por exemplo, de celebrações religiosas durante a pandemia. Parte da comunidade jurídica, que antes o elogiava por sua tecnicidade e noção de separação entre Igreja e Estado, hoje olha torto.

Outra crítica deve-se aos inquéritos abertos pela PF, a mando de Mendonça, contra opositores e críticos de Bolsonaro, com base na Lei de Segurança Nacional. Em breve, o Supremo deve  declarar a inconstitucionalidade dessas investigações e Mendonça não será poupado de críticas.

Isso aconteceu no julgamento dos cultos religiosos. Gilmar Mendes questionou o motivo de Mendonça não ter proposto, como ministro da Justiça, medidas para conter a contaminação pela Covid“É preciso que cada um de nós assuma sua responsabilidade. Isso precisa ficar muito claro! Não tentemos enganar ninguém! Até porque os bobos ficaram fora da Corte“, provocou.

Caso a indicação se confirme, azar de Augusto Aras, procurador-geral da República, e de Humberto Martins, presidente do STJ, que terão de esperar uma eventual reeleição de Bolsonaro. Disputarão as vagas que serão deixadas por Rosa Weber, em outubro de 2023, e Ricardo Lewandowski, em maio de 2024.

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