Por R$ 9 milhões, governo compra máscaras de empresa investigada na Bahia

Fabio Serapião, na Crusoé, informa que o governo federal, por meio da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), contratou, por R$ 9 milhões, uma empresa investigada na Operação Ragnarok, da Polícia Civil da Bahia, por suspeita de fraude na venda de respiradores para o Consórcio Nordeste.

Localizada em Araraquara (SP), a sede da Biogeoenergy, contratada para o fornecimento de máscaras N95, e um de seus sócios, Paulo de Tarso Carlos, foram alvos de mandados de busca e apreensão na última segunda-feira.

Segundo os investigadores baianos, a Hempcare, empresa ligada a Biogeoenergy, falsificou um contrato com uma firma chinesa a fim de comprovar sua capacidade para entregar cerca de 300 respiradores ao Consórcio Nordeste, formado por estados da região para a compra de insumos usados no combate à pandemia. O valor deste acerto foi de R$ 48 milhões.

No caso do contrato com o governo federal, a assinatura ocorreu em abril e parte do material já foi entregue a alguns hospitais da rede pública. Entretanto, segundo fontes ouvidas pela Crusoé, as máscaras não são de boa qualidade.

Até o momento, a Biogeoenergy já recebeu ao menos R$ 229 mil relacionados ao contrato. Inicialmente, o acerto tinha o valor de R$ 6 milhões por 480 mil máscaras, mas, por meio de um aditamento, subiu para R$ 9 milhões, por 720 mil itens.

Em nota, a Ebserh diz que a BioGeoEnergy “cumpriu os requisitos legais para participar do Chamamento Público nº 04/2020, publicado ainda em março, antes da referida operação policial”.

“A empresa venceu o chamamento para fornecer máscaras do tipo N95 aos hospitais universitários federais da Rede Ebserh. Parte do material já foi entregue e, em dois hospitais, técnicos locais atestaram os respectivos pagamentos com base nos laudos apresentados pela empresa. Nos demais casos, a Ebserh aguarda o resultado de testes e a apresentação de laudos emitidos por laboratórios de reconhecimento nacional, possibilidade prevista no chamamento público.”

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