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Procuradores rebatem declarações de Bolsonaro sobre fraude nas eleições

Nesta sexta-feira, o presidente afirmou, sem apresentar provas, que o processo eleitoral no país não é confiável
Procuradores rebatem declarações de Bolsonaro sobre fraude nas eleições
Foto: Anderson Riedel/PR

A Associação Nacional de Procuradores da República (ANPR) divulgou neste sábado uma nota em que rebate as declarações de Jair Bolsonaro sobre suspeita de fraude eleitoral.

Nesta sexta-feira, o presidente afirmou, sem apresentar provas, que o processo eleitoral no país não é confiável. Disse ainda que podem não ocorrer eleições no ano que vem.

Para os procuradores, “a discussão acerca do modelo de votação jamais pode ocorrer em um ambiente de ameaças sobre a própria realização das eleições, pois isso violaria a Constituição e o próprio regime democrático”.

Leia abaixo a íntegra da nota:

“A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) vem manifestar-se acerca das declarações sobre o processo eleitoral proferidas pelo Presidente da República em 9 de julho.

Mais do que um ideal simbólico, a democracia é uma obra coletiva, que depende do esforço diário do exercício da cidadania, da atuação das instituições e do respeito que a ela devem devotar todos os agentes públicos e privados.

A democracia tem como pressuposto o debate de ideias, o olhar divergente sobre os temas, o exercício responsável da crítica, a busca pelo aperfeiçoamento de seus institutos, mas não convive e não aceita posições que impliquem a sua própria negação ou a relativização de seus pontos essenciais.

Nesse sentido, afirmações que pretendam criticar o sistema eleitoral não podem se basear em suposições, em alegações genéricas e sem provas. Além disso, a discussão acerca do modelo de votação jamais pode ocorrer em um ambiente de ameaças sobre a própria realização das eleições, pois isso violaria a Constituição e o próprio regime democrático.

A adoção de métodos ou discursos que desestabilizem o funcionamento adequado das instituições merece não apenas repúdio, mas vigilância permanente quanto a seus efeitos e aos riscos para a nossa democracia. A ANPR reafirma o seu compromisso com a defesa da Constituição de 1988 e rechaça qualquer tipo de retrocesso nessa matéria.”

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