Quanto custa a imprensa?

Além de citar o nome dos jornalistas que – corretamente – se recusaram a celebrar o aniversário da Folha de S. Paulo, patrocinado pela Odebrecht, a ombusman do jornal também citou o financiamento da empreiteira a outros veículos:

“Acho que celebrações institucionais não deveriam ter patrocínio ou que ele deveria ser selecionado com muito cuidado. Não porque alimente algum temor sobre a interferência do comercial no conteúdo editorial, mas para não contaminar uma data importante com polêmicas previsíveis e estéreis. Se é possível evitar, por que não? (…)

É difícil crer que um jornal como a Folha não pudesse bancar um evento em que nenhum dos palestrantes foi remunerado (…)

Todos os meios desenvolvem projetos viabilizados pelo dinheiro de grandes corporações, sejam cadernos especiais, eventos, cursos de formação. Para ficar apenas nos jornais, a satanizada Odebrecht patrocina o programa de treinamento da Folha (juntamente com a Friboi e a Philip Morris), de O Estado de S. Paulo (em parceria com a Philip Morris) e do curso de jornalismo da Editora Abril (com a BRF e a Heineken). A mesma empreiteira patrocinou no final de janeiro um seminário sobre os Jogos em O Globo.

Precisamos ou não falar aberta e honestamente sobre isso?”

Sim, precisamos.

E precisamos falar aberta e honestamente também sobre os anúncios veiculados na imprensa por empresas como a Odebrecht, pelas estatais e pelo governo.

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