Exclusivo: PGR vê "robustos indícios" que ligam Renan a propina da Odebrecht

A análise da quebra de sigilo telefônico do lobista Milton Lyra é apontada pela Procuradoria-Geral da República como um dos “robustos indícios” de pagamento de suposta propina de R$ 1 milhão ao senador Renan Calheiros (MDB-AL), apontado como codinome “Justiça” nos sistemas da Odebrecht.

“Os elementos de prova apresentados pelos colaboradores da Odebrecht, os sistemas Drousys e Mywebday [sistema de propina], e os autos compartilhados com esta investigação, os quais serviram de base para a autorização das buscas e apreensões e dos afastamentos dos sigilos, somados a todos os demais elementos de prova, especialmente a relação entre Milton Lyra e o parlamentar investigado, ligam-nos fatalmente ao recebimento de vantagem indevida pelo senador Renan Calheiros”, escreveu a chefe da Lava Jato na PGR Lindôra Araújo.

O afastamento do sigilo de Lyra foi autorizado pelo Supremo Tribunal Federal. De acordo com as investigações, o lobista teria conversado com seu ex-motorista Fábio Brito Matos, que estava em São Paulo, no bairro da Mooca, e apresentou sinal em  área de cobertura compatível com o endereço apontado para a entrega do dinheiro.

Em depoimentos, Milton Lyra e Fábio Brito Matos negaram o recebimento de valores. O inquérito no STF apura o suposto pagamento de propina da Odebrecht para a aprovação do projeto de Resolução do Senado (PRS) n° 72, que diminuiu a alíquota do ICMS importação dos Estados, reduzindo, assim, o incentivo fiscal aos produtos importados, medida de interesse da empreiteira.

A PGR avalia que é imprescindível a análise detalhada desses registros telefônicos a fim de atestar a tese investigativa. A Lava Jato sustenta que ainda “há necessidade de aprofundamento da investigação sobre o caminho percorrido pela vantagem indevida intermediada por Matos e lYRA e posteriormente paga ao senador”.

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