Quem aí vai ofender e bater em taxista e comissário de bordo?

Quem aí vai ofender e bater em taxista e comissário de bordo?

Marmanjos se acham no direito de ofender e agredir fisicamente funcionários de estabelecimentos comerciais e motoristas de ônibus que lhes dizem que o uso de máscara é obrigatório por determinação governamental, em razão da pandemia. A brutalidade se dá sob o argumento de que a obrigatoriedade de uso da máscara nas ruas e lojas é um atentado à liberdade individual.

Obviamente, é uma falácia. A preservação da saúde pública está acima do indivíduo e, em situações cotidianas, a preservação física do próprio cidadão está acima do seu direito de colocá-la em risco. Exemplo disso é a obrigatoriedade do uso de cinto de segurança em automóveis e aviões. Por que essa gente que ofende e soca funcionários de lojas e motoristas de ônibus não faz o mesmo com motoristas de táxi e comissários de bordo quando eles lhes dizem para colocar o cinto? Outro exemplo, não muito respeitado: atravessar a rua na faixa de pedestres. Você vai xingar e bater no guarda de trânsito que o advertiu por ter atravessado fora da faixa? Vá em frente, valentão.

A contrariedade com o uso obrigatório da máscara — e ninguém está dizendo que o acessório é uma delícia — não tem nada a ver com a defesa de liberdades individuais. É pura e simplesmente atitude ideológica, já que politizaram o vírus da Covid-19. Tascaram o rótulo de esquerda no bicho e, por isso, se você é mesmo de direita tem de negar a periculosidade do bicho e qualquer providência séria a ser tomada contra ele. Só vale providência que não funciona, como entupir-se de cloroquina.

A liberdade individual também já começa a ser invocada contra a obrigatoriedade de vacinar-se contra a doença. As vacinas ainda nem foram aprovadas e já viraram coisa de esquerdista. Como foi comprada pelo governo Bolsonaro, a vacina de Oxford talvez venha a ganhar selo de qualidade direitista — e aí teremos inventado a polarização literal da injeção.

Não há o que fazer com a burrice, infelizmente, e reconheça-se que não é atributo brasileiro. Até aquela gente que marcha em passo de ganso deu para ser indisciplinada e burra. O passado da burrice é glorioso, o futuro é promissor e o seu presente é um pancadão contínuo. Ela é incancelável, mas ainda há o que fazer com o marmanjo que ofende e agride por não querer usar máscara: colocá-lo na cadeia, se pego em flagrante, e processá-lo. Aí, sim, ele vai perceber o que é perda de liberdade.

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