Quem rejeita o impeachment?

A sociedade civil rejeita o impeachment.

É o que tenta demonstrar a Folha de S. Paulo, com sua enquete sobre Dilma Rousseff.

A reportagem entrevistou 28 “representantes da sociedade civil”. Eles “fazem coro para criticar o ajuste fiscal, mas avaliam que um eventual impeachment agravaria a situação do país”.

Dos 28 representantes da sociedade civil que “fazem coro para criticar o impeachment”, três deles são políticos do PT (dois dos quais investigados na Lava Jato), outros três são da CUT e um pertence ao MTST.

Dos 21 que restam, quatro são políticos da oposição e, ao contrário do que diz a reportagem, apoiam o impeachment.

Dos outros 17, três defendem abertamente o afastamento de Dilma Rousseff, como o presidente da OAB da Bahia, que diz: “O regime democrático prevê o impeachment, por isso não o vejo com temor”.

Sobram 14 representantes da sociedade civil que, em teoria, fazem coro contra o impeachment.

Nove deles, como os presidentes da Fiesp e da Firjan, criticam violentamente a política econômica e não dizem uma única palavra em defesa do mandato de Dilma Rousseff.

Eliminando esses nove, os representantes da sociedade civil que declararam temer o impeachment foram apenas cinco.

Desses cinco, porém, dois são políticos de partidos aliados de Dilma Rousseff: PMDB e PDT.

Sobram três. Mas um dos três não conta, porque ele é presidente da Fiemg, que contratou Fernando Pimentel como consultor.

Quem rejeita o impeachment, de acordo com a enquete da Folha de S. Paulo, portanto, não é a “sociedade civil”, e sim o presidente do sindicato do setor de celulose da Bahia e a vice-presidente da Associação de Agricultores e Irrigantes, igualmente da Bahia.

Faça o primeiro comentário