Relatório da PF traz linha do tempo de interferências de Bolsonaro

Relatório da PF traz linha do tempo de interferências de Bolsonaro
Foto: Marcos Corrêa/PR

A Polícia Federal fez uma linha do tempo das tentativas de Jair Bolsonaro de intervir na corporação. O cronograma está em relatório da PF no inquérito aberto após a demissão de Sergio Moro, a que O Antagonista teve acesso.

De acordo com o documento, alguns fatos levaram Bolsonaro a querer intervir na PF: a abertura do inquérito sobre a rachadinha no gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio; a menção errônea ao deputado Helio Lopes (PSL) num inquérito da PF; a investigação sobre ocultação de bens na declaração à Justiça Eleitoral; e o inquérito das fake news, aberto no Supremo Tribunal Federal no início do ano passado.

O inquérito sobre a interferência de Bolsonaro foi aberto em abril, logo depois que Moro anunciou sua saída do governo e acusar o presidente de tentar interferir nas nomeações para a PF em benefício próprio. A pedido do PGR, Augusto Aras, foram abertas investigações contra Bolsonaro e contra o próprio Moro, por denunciação caluniosa.

No relatório entregue ao Supremo ontem, a PF cita diversas declarações de Bolsonaro a partir do dia 15 de agosto de 2019 que demonstrariam as interferências políticas. Naquele dia, ele disse que trocaria o superintendente da PF no Rio.

No dia seguinte, Bolsonaro reclamou sobre o anúncio de Moro de que a PF no Rio seria comandada pelo delegado Carlos Henrique Sousa. “Se ele (Moro) resolver mudar, tem que falar comigo, quem manda sou eu, deixar bem claro… Dou liberdade para os ministros todos, mas quem manda sou eu. Pelo o que está pré-acertado, seria o lá de Manaus”, disse Bolsoanro, segundo a transcrição da PF.

Em 21 de agosto, durante o Congresso Aço Brasil, Bolsonaro, mencionou reportagens que indicariam interferências dele na PF e disse “fui eleito para interferir mesmo”.

No dia seguinte, disse a repórteres: “Se trocar hoje, qual o problema? Eu que indico e não o Sérgio Moro, ponto final”.

Bolsonaro ainda não foi ouvido no inquérito, mas o depoimento dele já foi autorizado pelo relator, ministro Celso de Mello. A PF agora aguarda definição do ministro sobre a forma do depoimento, se presencial ou por escrito.

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