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Ricardo Salles e o cheiro de queimado

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“Ricardo Salles tem muito mais uma pegada de fiel escudeiro de Jair Bolsonaro do que do partido Novo.”

A frase acima é do deputado estadual Chicão Bulhões, autor do pedido que levou à suspensão de Salles do partido, no final de outubro.

De fato, o ministro do Meio Ambiente mostrou em 2019 ser um dos mais alinhados ao discurso do presidente da República.

Bem ao estilo do chefe — que acusou ONGs de serem coniventes com as queimadas na Amazônia –, Salles escreveu o seguinte durante a crise do óleo nas praias nordestinas:

Tem umas coincidências na vida, né… Parece que o navio do #greenpixe estava justamente navegando em águas internacionais, em frente ao litoral brasileiro, bem na época do derramamento de óleo venezuelano…”

O Greenpeace reagiu: chamou o ministro de mentiroso e protocolou uma ação no STF por suposto crime de difamação.

Em agosto, Salles declarou sua intenção de assumir a gestão do Fundo Amazônia, mudando as diretrizes que os doadores consideravam ajustadas ao objetivo do projeto.

A Alemanha e a Noruega não aceitaram os novos critérios do governo brasileiro. E os dois países suspenderam seus apoios financeiros a ações de proteção da região amazônica.

As queimadas voltaram aos níveis de sempre, mas outras fogueiras passaram a arder para Salles.

Os parlamentares da Rede protocolaram no STF um pedido de impeachment do ministro. E membros do Novo pediram a expulsão de Salles do partido. A Comissão de Ética da legenda determinou, então, em caráter liminar, a suspensão de sua filiação.

Os rolos de Salles, no entanto, não se iniciaram no governo Bolsonaro.

Reportagem da Crusoé mostrou a extensa ficha de processos de Salles, com acusações das mais diversas: crimes contra o patrimônio, coação, formação de quadrilha e falsidade ideológica.

Em agosto, o Ministério Público de São Paulo abriu um inquérito para investigar a suspeita de enriquecimento ilícito no período em que Salles alternou cargos no governo paulista e a atividade de advogado no setor privado, entre 2012 e 2017.

Recentemente, a Justiça de São Paulo autorizou a quebra de seus sigilos bancário e fiscal.

Salles termina o ano dizendo uma verdade no Twitter sobre o resultado da COP 25, a conferência sobre o clima realizada em Madri, por causa do climão em Santiago;

A “COP 25 não deu em nada. Países ricos não querem abrir seus mercados de crédito de carbono. Exigem medidas e apontam o dedo para o resto do mundo, sem cerimônia, mas, na hora de colocar a mão no bolso, eles não querem. Protecionismo e hipocrisia andaram de mãos dadas, o tempo todo.”

O cheiro de queimado continua forte, inclusive o de Salles. Mas não é fácil deixar um fiel escudeiro para trás.

O 'RACHID' DE QUEIROZ. E O DO PT. Leia aqui

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