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Saiba o que Bolsonaro pretende com a reforma fisiológica

O presidente da República vai entregar a Casa Civil, 'coração' do Planalto, para Ciro Nogueira e criar o Ministério do Emprego e Previdência
Saiba o que Bolsonaro pretende com a reforma fisiológica
Foto: Alan Santos/PR

Jair Bolsonaro pretende anunciar, até a próxima segunda-feira, a mais simbólica reforma fisiológica de seu governo.

Como noticiamos logo cedo nesta quarta-feira (21), o presidente da República vai entregar a Casa Civil para o senador Ciro Nogueira (PP-PI). O atual ministro-chefe da pasta, general Luiz Eduardo Ramos, deverá ser realocado para a Secretaria-Geral da Presidência da República, pasta hoje comandada por Onyx Lorenzoni.

Onyx será abrigado no Ministério do Emprego e Previdência, estrutura a ser criada a partir do desmembramento do Ministério da Economia.

Saiba o que Bolsonaro pretende com essas mudanças (além do principal, que é evitar o impeachment):

Melhorar articulação com o Senado

Após a eleição de Rodrigo Pacheco (DEM-MG), candidato apoiado por ele, Bolsonaro tem reclamado que perdeu a interlocução com o presidente do Senado. Pacheco está sendo sondado por Gilberto Kassab para ser candidato ao Planalto em 2022 pelo PSD. Até hoje, Bolsonaro não engole a instalação da CPI da Covid, determinada por Pacheco somente após uma decisão do STF nesse sentido. Colocando um senador na Casa Civil — Ciro preside nacional o PP –, o presidente espera fortalecer o Centrão do Senado como sua base de apoio.

Azeitar relações entre ministros no Palácio do Planalto

Com a chegada de Ciro Nogueira à Casa Civil, a expectativa de Bolsonaro é fortalecer também a ministra-chefe da Secretaria de Governo, a deputada licenciada Flávia Arruda (PL), aliada de Arthur Lira. Dessa forma, o governo espera conter queixas relacionadas à liberação de emendas parlamentares. Flávia tem boa relação com parlamentares, mas nunca teve autonomia, pois, nos bastidores, alega ser boicotada justamente por Luiz Eduardo Ramos e Onyx Lorenzoni.

Atenuar resistências à indicação de André Mendonça para o STF

Apesar de a bancada evangélica garantir que André Mendonça terá votos suficientes para ter seu nome aprovado, hoje o indicado de Bolsonaro tem apenas em torno de 30 votos garantidos publicamente — serão necessários 41. Com as articulações de Ciro Nogueira e com Flávia Arruda mais solta para negociar emendas, o governo acredita que será possível atenuar essa resistência. A fórmula? A de sempre: emendas e promessas de mais espaço para aliados dentro do governo.

Ficar menos refém de Davi Alcolumbre

Aliados do presidente da República admitem um certo incômodo com os recados dados por Davi Alcolumbre, ex-presidente do Senado e hoje presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, sendo, portanto, responsável por pautar indicações de autoridades feitas por Bolsonaro. Desde a indicação de André Mendonça — que não era o nome preferido de Alcolumbre –, o senador pelo Amapá vem alegando que o “terrivelmente evangélico” não será aprovado com facilidade. Com Ciro Nogueira na Casa Civil, o governo espera que o piauiense possa dar um jeitinho de convencer Alcolumbre a colaborar com a aprovação de Mendonça.

Promover o aliado Onyx Lorenzoni

Ao criar uma pasta para abrir Onyx, o governo pretende apostar em uma estrutura que seria responsável exclusivamente por ações de promoção de emprego e renda. A tática incluir dar mais visibilidade a Onyx, em um movimento semelhante ao que o PT fez com Dilma Rousseff, quando Lula a alçou ao cargo de ministra-chefe da Casa Civil. Como Secretário-Geral da Presidência da República, o deputado licenciado perdeu holofotes.

Esvaziar as funções de Paulo Guedes

Com a reforma fisiológica, o governo também ajuda a minar ainda mais o poder do ex-superministro da Economia e abre espaço para partidos do Centrão dentro da estrutura da pasta.

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