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Salles pediu demissão para não ser preso

Inquéritos contra o agora ex-ministro devem descer para a primeira instância, onde juízes já deram decisões favoráveis a outros investigados
Salles pediu demissão para não ser preso
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O pedido de demissão de Ricardo Salles, concretizado ontem, não foi oportuno para o governo apenas para tentar desviar o foco do escândalo da Covaxin: o ‘ministro do desmatamento’, que há muito era pressionado a deixar o cargo, também tenta escapar do cerco do STF, onde tramitam dois inquéritos que podem complicar ainda mais sua vida pública.

As investigações são supervisionadas por Cármen Lúcia e Alexandre de Moraes, dois ministros que não hesitariam em decretar a prisão de Salles. Cármen, pelo histórico de defesa da Amazônia; Moraes, pela linha dura nas investigações envolvendo o governo Bolsonaro.

Cármen Lúcia inaugura no STF exposição de Sebastião Salgado sobre a Amazônia. Foto: Rosinei Coutinho/STF (19fev2018)
A demissão de Salles é, portanto, estratégica do ponto de vista não só político, como criminal: como o agora ex-ministro passa a não ter mais foro privilegiado, as investigações — que tratam de suposto favorecimento à extração e de exportação ilegal de madeira — descerão para a primeira instância.

Se Salles der sorte, os dois inquéritos ainda poderão cair nas mãos de juízes do Pará e do Amazonas, estados de origem e apreensão da madeira. Os magistrados já mandaram devolver as toras para os proprietários investigados.

Na semana passada, a Polícia Federal pediu ao STF que avocasse todo o inquérito, justamente em razão do foro de Salles, e para que a investigação não ficasse dividida e com decisões conflitantes.

Agora, sem ninguém com foro, os casos devem descer e aliviar a situação do ex-ministro. No entanto, ainda há tempo para avançar nas apurações, mesmo sem o empenho da Procuradoria-Geral da República, que nunca se mexeu para aprofundar as investigações.

Ontem, após a demissão ter sido publicada no Diário Oficial da União, o que já autorizaria a remessa do caso para a primeira instância, Moraes pediu a ajuda dos Estados Unidos para desbloquear o celular de Salles. Se quiser retardar a descida do seu inquérito, Cármen Lúcia também poderá mandar a PF tocar mais diligências.

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