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Salve, Jorge!

Salve, Jorge!
Foto: Adriano Machado/Crusoé

A Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão ontem na casa do segundo-sargento da Aeronáutica Jorge Luiz Cruz da Silva, suspeito de envolvimento em esquema de tráfico de drogas em aviões da FAB.

A investigação chegou a Jorge Luiz depois da prisão em 2019 do também sargento Manoel Silva Rodrigues, que integrava tripulação de apoio à comitiva de Jair Bolsonaro à Espanha.

Na decisão que autorizou a Operação Quinta Coluna, a juíza Pollyana Kelly Alves cita investigação da PF e diz que “Jorge Luiz da Cruz Silva seria a pessoa responsável pela indicação de militar da FAB que recrutaria ‘mulas’ para o transporte de substância entorpecente”.

Jorge Luiz é figura conhecida em Brasília, tendo sido candidato a deputado distrital em 2014 e 2018. Na última eleição, obteve 10.745 votos sob a alcunha “Salve Jorge”. Sem conseguir ser eleito, ganhou cargo no governo de Ibaneis Rocha.

Primeiro, como assessor da Secretaria de Esporte do DF, na gestão de Leandro Cruz, advogado oriundo de Nova Iguaçu (RJ) que sucedeu Leonardo Picciani no Ministério dos Esportes de Michel Temer.

Desde maio do ano passado, exerce a função de assessor especial do gabinete do vice-governador do Distrito Federal, Paco Britto. Em contato com O Antagonista, o vice-governador disse que pedirá explicações ao assessor antes de qualquer providência.

Vale ressaltar que para assumir os cargos no GDF, Jorge Luiz precisou de autorização do comandante da Aeronáutica, brigadeiro Antônio Carlos Moretti Bermudez.

Em 2013, revelei na IstoÉ que pairavam suspeitas sobre o sargento por causa justamente das viagens que fazia em missões oficiais ao exterior. Então lotado como taifeiro na Secretaria Geral da Presidência, Jorge Luiz servia ministros e presidentes em viagens ao exterior. Além de garçom, carregava malas e fazia pequenos serviços.

Apesar do salário de R$ 4 mil, o militar ostentava então patrimônio de quase R$ 800 mil. Havia comprado cinco casas através de procurações em nome de pessoas condenadas e tinha uma coleção de veículos novos, entre eles um Ford Fusion e uma Captiva.

‘Salve Jorge’ chegou a adquirir um time de futebol amador e negociou por R$ 100 mil o comando de uma equipe da segunda divisão brasiliense. Dizia então que seus bens eram “fruto do trabalho e de negócios com terrenos invadidos na cidade satélite de Paranoá”.

As suspeitas não impediram que ele fosse promovido a segundo-sargento e até acomodado no gabinete do então comandante, Juniti Saito, cujo chefe era o brigadeiro José Magno Resende de Araújo.

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