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Saudades de Rodrigo Maia, Paulo Guedes?

O ex-superministro vivia às turras com Maia, mas foi Arthur Lira, seu aliado, que o fez virar de vez um faria loser
Saudades de Rodrigo Maia, Paulo Guedes?
Foto: Washington Costa - ASCOM/ME

Quem precisa de adversários, quando tem um aliado como Arthur Lira? 

Quando Rodrigo Maia presidia a Câmara dos Deputados, Paulo Guedes vivia às turras com ele, embora os dois defendessem os mesmos princípios na economia: responsabilidade fiscal, enxugamento do estado, apoio à iniciativa privada.

Desde que Arthur Lira assumiu a presidência da Câmara, os embates públicos com o ministro da Economia cessaram.

Foi uma péssima notícia para Guedes.

Sem levantar a voz, Lira fez a lógica política do Centrão prevalecer no governo. Essa lógica é oportunista: vamos usufruir do poder enquanto é tempo, o resto a gente vê depois. Nem princípios econômicos, nem de qualquer outra espécie, entram na equação.

Jair Bolsonaro pode anunciar em breve o valor de 400 reais para o Auxílio Brasil, o seu arremedo de Bolsa Família. Assim que o fizer, estará cimentada a completa desmoralização do outrora superministro da Economia.

A questão é simples. Um quarto do dinheiro a ser gasto com o benefício virá de fora do teto de gastos, aquela barreira que Guedes jurou inúmeras vezes que não iria ultrapassar. 

A campanha do Centrão pelos 400 reais começou no primeiro trimestre deste ano. Por que esse valor? Porque sim. Porque parece de bom tamanho para conquistar votos nas eleições do ano que vem. Nenhum especialista em políticas sociais fez as contas para chegar a essa soma. 

Se Bolsonaro hesitava, não é porque tivesse escrúpulos. Ele tinha medo. Afinal, Dilma Rousseff sofreu impeachment por fazer maracutaia com as contas públicas.

Mas a esta altura já ficou claro que, com Lira controlando a Câmara, o pilantra-em-chefe não sofrerá impeachment nem pelo que fez na pandemia, nem por conspirar contra a democracia, nem por crime de responsabilidade fiscal. Contanto que Lira e companhia mantenham o controle de verbas e cargos até o final do ano que vem, e uma boa perspectiva de poder para depois disso. 

Se Bolsonaro endossar os planos para o Auxílio Brasil, Paulo Guedes não poderá mais se livrar da imagem de “faria loser”. Não interessa se, nos bastidores, ele rosnou contra a medida, como a sua equipe está fazendo circular. Guedes perdeu. 

PS: Ricardo Paes de Barros, o economista que desenhou o Bolsa Família, afirma que o melhor que o Brasil poderia fazer é focalizar o programa no grupo mais miserável, pagando a ele o maior valor possível. Daí viriam os melhores dividendos sociais. É o contrário do que o governo pretende fazer: pagar um valor mediano a um número maior de pessoas (17 milhões de famílias, em vez dos 14 milhões hoje beneficiados). Os dividendos, nesse caso, pretendem ser eleitorais. Toco nesse ponto para dizer que problema não é a existência, nem o valor do Auxílio Brasil, mas sim o desenho do programa e a forma de viabilizá-lo. Até mesmo uma discussão sobre a flexibilização do teto de gastos que tivesse começado no ano passado, mas que fosse honesta, seria melhor do que a picaretagem que está em andamento. Quem tem dinheiro para investir no Brasil não é idiota, nem fará de conta que nada está acontecendo. Ao longo desta terça-feira, o dólar subiu, enquanto a Bolsa desabava. Eram os donos do dinheiro grosso procurando a saída deste país inconfiável. 

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