"Se de fato não quer ter um filho, diz não para a relação"

Filha e sócia do jurista Ives Gandra, que já se pronunciou nos processos sobre fetos anencéfalos e células-tronco de embriões, Angela Vidal Gandra Martins será a voz que defenderá a manutenção do aborto como crime na ação em que o PSOL pede ao STF a descriminalização da prática, registra O Globo.

O jornal perguntou à advogada se “o Estado pode determinar que a mulher é obrigada a ter um filho, mesmo contra vontade dela”.

“Um filho não é um pedaço do corpo da mulher. É uma vida, não é arrancar um dente. É uma vida que depende da mãe para continuar a viver. Se se abriu para uma relação, tem que planejar as consequências da relação. Uma vez concebida uma criança, um ser humano, não tem direito de eliminar.”

Sobre os contraceptivos não serem 100% eficientes, Angela respondeu:

“Podem até não ser. Na maioria das vezes, não é isso (falha nos contraceptivos) que acontece. Se acontecer, é uma consequência natural do ato. Tem que ter maturidade para a globalidade do ato. Se de fato não quer ter um filho, diz não para a relação. Não se pode agir de forma leviana, para viabilizar algum outro momento fugaz. A liberdade tem que ser orientada para o amor. Liberdade não é absoluta. Tenho que pensar no outro também. Há uma moralidade sexual altamente descomprometida.”

Comentários

  • Uma -

    É curioso como esta cartilha liberal (em relação a comportamentos) é incoerente: menospreza a vida de um feto e valoriza a vida de um criminoso cruel. Na realidade, toda vida é importante. Toda vida deve ser protegida – feto, grávida, bandido, policial, doente, velho -; até a vida de um psicopata...

  • JANA -

    O ESTADO PODE MATAR UMA CRIANÇA EM FORMAÇÃO CONTRA A VONTADE DELA, SR. JORNALISTA DE O GLOBO?A mulher não está sendo obrigada a ter um filho, o filho já está vivo, já foi gerado. A mulher já É MÃE DE FATO. O assassinato não muda isso nunca, só a torna MÃE DE UM FILHO MORTO. POR ELA E PELO ESTADO.

  • Eduardo -

    Por outro lado, este país precisa deixar de ser menos hipócrita. É notório que, mesmo sendo ilegal, muitas mulheres submetem-se a abortos, em clínicas clandestinas, assumindo gigantesco riscos. Há de se investir em campanhas de incentivos a planejamento familiar e a valorização da vida.

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