Sem "vacina chinesa de João Doria", Bolsonaro estaria empatado com Argentina

Sem “vacina chinesa de João Doria”, Bolsonaro estaria empatado com Argentina
Foto: Isac Nóbrega/PR

O presidente Jair Bolsonaro foi ao Twitter nesta segunda (22) dizer que somos o 5º pais (sic) que mais vacina no mundo com 13 milhões de doses aplicadas“.

É mais um pronunciamento na ‘virada vacinal’ do governo, que há vários dias se esforça para convencer o público de que sempre foi a favor da vacina. É o que vimos em uma entrevista de Ricardo Barros e em um tweet de Eduardo Bolsonaro, por exemplo: “Nossa arma agora é a vacina!”.

No ranking do site citado por Bolsonaro, o Our World in Data, o Brasil de fato aparece em 5º lugar em número absoluto de doses aplicadas, atrás de Estados Unidos, China, Índia e Reino Unido.

Mas o presidente se esqueceu de dizer uma coisa. Pelo painel Brazil Imunizado, do Ministério da Saúde, até a tarde de hoje 76% das doses aplicadas foram de Coronavac.

Sem a “vacina chinesa de João Doria”, portanto, o Brasil teria aplicado até hoje pouco mais de 3,1 milhões de doses, e estaria empatado com a Argentina. O país também estaria atrás, em número absoluto de doses aplicadas, de Polônia (5 milhões), Bangladesh (4,76 milhões) e Canadá (3,95 milhões).

Ainda no Our World in Data, o Brasil está em 72º lugar em termos de porcentagem da população vacinada. Esse ranking leva em conta territórios como Gibraltar e Ilhas Malvinas, que não são países soberanos.

No ranking do New York Times, que inclui apenas países soberanos, o Brasil está hoje em 51º lugar, tendo vacinado 4,9% da população. O Brasil aparece atrás de Argentina (5,7%), Uruguai (9%) e Chile (30%).

O ranking proporcional de vacinação, que é o mais importante, é liderado por Israel, Seicheles, Emirados Árabes Unidos, Mônaco e Chile.

O Brasil é o 6º país mais populoso do mundo, atrás do Paquistão. Sua responsabilidade de vacinar, portanto, é maior do que a de outros países.

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