Senadores veem "jogo combinado" para decretos das armas entrarem em vigor

Senadores veem “jogo combinado” para decretos das armas entrarem em vigor
Foto: Christiano Antonucci /Secom - MT

Senadores contrários aos decretos de Jair Bolsonaro que ampliam o acesso a armas no Brasil estão desconfiados de que há um acordo, em sintonia com o Palácio do Planalto, para que o assunto não seja votado, fazendo com que as normas entrem em vigor na próxima segunda-feira, como noticiamos há pouco.

“Jogo claramente combinado”, disse um senador a O Antagonista, em reservado. “Parece que estamos diante de um suposto acordão do relator com o presidente do Senado e o governo para não votar isso hoje”, afirmou outro.

Para alguns senadores, Rodrigo Pacheco (DEM) escolheu Marcos do Val (Podemos) para relatar o tema ciente de que o senador pelo Espírito Santo é favorável à constitucionalidade dos decretos.

Não há dúvida alguma de que isso tem uma definição: jogo combinado. O bang-bang começará segunda-feira”, comentou abertamente com este site Jorge Kajuru (Cidadania).

A assessoria de Pacheco informou que o caso, ainda em discussão na reunião de líderes que ocorre neste momento, será levado ao plenário e o relator apresentará ou não seu parecer.

Ao jornal O Globo, Marcos do Val já avisou que não vai apresentar relatório hoje.

O meu entendimento é de que este não é o momento para se votar esse tipo de matéria. Estamos em meio a uma pandemia e todos os esforços deveriam ser voltados para essa causa. É um assunto fora do contexto que estamos vivendo, estamos falando de vacinação, auxílio… Não é um assunto prioritário”, argumentou.

Em assim sendo, os decretos, que também estão com análise pendente no STF, passarão a valer na próxima segunda-feira.

A senadora Eliziane Gama, líder de bloco parlamentar com Cidadania, PDT, Rede e PSB, antecipou a O Antagonista que apresentará um voto em separado, para tentar frear os decretos.

Entre as mudanças, está a ampliação de quatro para seis no número máximo de armas que cada cidadão pode ter. Bolsonaro também estabeleceu a permissão para que atiradores possam comprar até 60 armas e caçadores, 30. Os decretos aumentam, ainda, o limite de munições e a quantidade de recargas de cartuchos de calibre restrito.

Raul Jungmann, ex-ministro da Defesa, em artigo recente, escreveu que os decretos poderão fazer eclodir uma “guerra civil”.

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