Sobre uma reportagem da Época Negócios

A revista Época Negócios, em reportagem publicada por Sérgio Xavier, cita O Antagonista para falar do escândalo envolvendo Cris Duclos, ex-diretora de marketing da Vivo demitida da empresa comandada por Amos Genish num episódio que permanece nebuloso.

A demissão de Cris Duclos, em meados do ano, era o grande assunto do mercado publicitário, quando foi objeto de tweets cifrados e, em seguida, apagados de Fernando Rodrigues, do UOL, e do blog de Políbio Braga, que contou o que se relatava dentro da Vivo e entre os publicitários. A notícia viria a ser repercutida neste site, no jornal Valor Econômico, na rádio Jovem Pan, agência Reuters e TV Bandeirantes. Cris Duclos mostrava reticência para falar abertamente com a imprensa.

O Antagonista abordou o assunto três vezes, em 23 e 26 de julho. Na primeira, limitou-se a reproduzir o texto de Políbio Braga, dando ênfase à possibilidade de o UOL ter mandado apagar os tweets de Fernando Rodrigues, como afirmava o jornalista. Na segunda, recuperamos os tweets apagados de Fernando Rodrigues. Na terceira, a partir de informações obtidas na própria Vivo, descrevemos como foi a demissão de Cris Duclos e afirmamos que não havia sido dada a ela nenhuma chance de defesa.

A reportagem da Época Negócios dá a entender, em relação a O Antagonista, que nós demos “ênfase no repasse do desvio feito por Nizan Guanaes, da África, para Ricardo Chester, publicitário e marido de Cristina”. Mentira. Também diz que nós “requentamos” a versão de Políbio Braga. Mentira. Também diz que nós “potencializamos” o bombardeio que já existia nas redes sociais. Gostaríamos de saber como Sérgio Xavier mediu a “potencialização”.

Segundo a Época Negócios, Cris Duclos, que diz ser inocente e está na Justiça à procura de explicações para a sua demissão, contratou um escritório para administrar crises (Giusti Comunicação) e uma auditoria (Grant Thornton), para checar o patrimônio da sua família. Uma auditoria dessas, de acordo com a revista, é “geralmente contratada por empresas para se defender de acusações”. Ela contratou também um escritório de advocacia (Peixoto & Cury). A reportagem sugere que a demissão de Cris Duclos está ligada à demissão de Heloísa Genish, que também trabalhava na diretoria da Vivo e é mulher de Amos Genish — que, para surpresa geral, deixará o comando da empresa no fim do ano.

A Época Negócios informa que a Justiça do Trabalho, em 29 de setembro, quebrou a cláusula de sigilo que impedia Cris Duclos de falar sobre a sua própria demissão. “Ela não foi demitida por justa causa e ainda recebeu um ano a mais de salário para não trabalhar na concorrência”, publica a revista.

Meses atrás, Cris Duclos, através dos seus advogados, notificou O Antagonista em razão dos nossos posts sobre a sua demissão. Respondemos, por meio dos advogados do escritório Lourival J. Santos, que estávamos abertos para que ela desse a sua versão dos fatos, apesar do tom acusatório e extremamente agressivo da sua notificação. Estamos aguardando a resposta até hoje, porque o nosso interesse é a verdade. A reportagem da Época Negócios reinaugura um caso que parecia já ter perdido o interesse público.

Atualização: em 27 de dezembro de 2016, a Vivo atestou a inocência de Cris Duclos em nota conjunta publicada no jornal Valor Econômico: