Temer: amarrado à árvore envenenada

Alguns trechos do artigo de Michel Temer publicado na Folha, para quem não pretende ler inteiro:

“O delator não apontou crime contra mim, mas prometeu fabricar algum delito no futuro próximo. E assim o fez, em troca de imunidade total para 245 crimes e perdão para 2.000 anos de prisão, ao desdobrar a gravação ilícita e descontínua, imprestável como prova judicial, em ‘ações controladas’. Inaugurou-se, assim, o espantoso ‘direito penal do porvir'”:

Mais:

“Foi, reafirmo, com base na gravação ilícita que o Ministério Público determinou as ações controladas e medidas cautelares posteriores -todas, portanto, frutos de uma mesma árvore envenenada.”

E mais:

“Depois de constatarem a total falta de elementos mínimos para sustentar a imputação de crime, meus advogados perguntam se estou sendo denunciado por ter um ex-assessor “de total confiança” ou por ter conversado com um empresário no Jaburu.

‘Ou estaria Michel Temer sofrendo os dissabores de uma denúncia exclusivamente em razão de ser o presidente da República, em uma verdadeira manifestação política contra seus ideais de governo?’ A única resposta possível para esta última questão é ‘sim’.”

E ainda:

“Destacaram, entre todas as manchetes infames destes últimos dias, que sou o primeiro presidente da República denunciado no exercício do cargo por corrupção.

Isso só foi possível porque é a primeira vez também que se atropela de forma tão violenta e absurda o devido processo legal.

Defendo-me de acusação que é uma verdadeira heresia jurídica, um atentado ao Estado democrático de Direito. Que seja a primeira e a última denúncia neste feitio arbitrário.

Digo isso em favor da presunção constitucional de inocência devida a todos os brasileiros. Que em nosso país até o mais humilde cidadão sinta-se preservado das flechas da injustiça.”

Está claro que a tese da “árvore envenenada” — de que a gravação feita por Joesley Batista é ilegal — é a que será usada pela defesa de Temer no STF, se a Câmara admitir que ele seja processado.

As flechas da injustiça, por Mantegna

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