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"Todos vão tentar seguir o confinamento horizontal, até um certo limite"

O economista-chefe do banco BV (antigo Banco Votorantim), Roberto Padovani, disse ao Estadão que a crise econômica provocada pelo novo coronavírus “está bem cercada”.

Ele afirmou:

“Na semana passada, estava muito preocupado porque não via nenhuma ação, enquanto a recomendação internacional era por respostas rápidas e agressivas. Mas, na última sexta-feira, saiu um arsenal de medidas que ataca os três principais problemas. O primeiro é a renda, principalmente dos autônomos e de micro e pequenas empresas. Para contornar isso, o governo está antecipando benefícios, ampliando o Bolsa Família. O segundo problema tem a ver com a situação financeira das empresas. O setor de serviços é muito empregador e, sendo atingido, pode gerar um problema de desemprego alto. O que está sendo feito para atenuar isso é o diferimento de pagamento de impostos e usar a estrutura dos bancos para alcançar esse pessoal, com mitigação de risco feita pelo governo. A terceira questão era manter o canal de crédito funcionando. Você faz isso aumentando a liquidez. O Banco Central liberou compulsórios. Aparentemente, a crise está bem cercada e o volume (do pacote fiscal) é expressivo.”

O economista também comentou a polêmica entre as recomendações médicas e o risco de a economia entrar em colapso.

“Vai ter uma tensão aí entre a recomendação médica e a pressão econômica e política. Talvez a gente não faça o confinamento ideal do ponto de vista médico, mas devemos cumprir o confinamento mínimo obrigatório. Acho que um mês está no radar das pessoas. Se for de dois meses, politicamente pode ser inviável. Aí você vai partir para uma flexibilização, que é na verdade essa polêmica que se tem hoje de confinamento horizontal ou vertical. Não acho que será uma opção da liderança política. Todos vão tentar seguir o que está dando certo no mundo, que é o confinamento horizontal, até um certo limite, até onde a economia conseguir resistir. A partir do momento em que ela começar a falhar, em que as empresas começarem a quebrar e o desemprego a subir, o desespero vai fazer com que isso se transforme em pressão política. Por isso é importante a ação do governo para dar fôlego para essas empresas atravessarem a quarentena.”

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