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"Tristeza e saudade", diz Dallagnol, sobre morte de Alessandro Oliveira

Em mensagem nas redes sociais, o ex-coordenador da Lava Jato presta homenagem ao colega de MPF e conta bastidores da sucessão
“Tristeza e saudade”, diz Dallagnol, sobre morte de Alessandro Oliveira
Foto: Divulgação

Deltan Dallagnol, que foi substituído por Alessandro Oliveira no comando da Lava Jato, publicou nas redes sociais uma longa mensagem em homenagem ao colega de Ministério Público — que morreu hoje em decorrência de um câncer.

“A partida de Alessandro, coordenador da Lava Jato, marido e pai de um lindo casal de filhos, aos 45 anos, deixa tristeza e saudade. Ao mesmo tempo, a vida que Alessandro decidiu viver nos deixa inspiração”, escreveu. O procurador compartilhou bastidores da sucessão.

Leia a mensagem na íntegra:

“No fim de agosto do ano passado, passei a refletir com os colegas da força-tarefa sobre quem seria um bom nome para levar à frente a coordenação da Lava Jato. A substituição era importante por conta de um problema grave de saúde na minha família que exigiria bastante da minha atenção.

Imediatamente pensamos em Alessandro, que sempre foi um procurador reconhecido como bastante dedicado. Além disso, ele já havia trabalhado em investigações da Lava Jato que tramitam perante o STF.

Então, liguei para Alessandro e perguntei se ele teria condições e disposição para assumir a Lava Jato. Eu sabia que, na prática, estava perguntando se ele se disporia a segurar uma ‘bomba’ nas mãos.

Alessandro tinha várias razões para dizer ‘não’. Ele sabia que, se assumisse a operação, lidaria com um imenso volume de trabalho e encararia muitas outras dificuldades. Além dos desafios próprios de investigações e processos relacionados a crimes complexos, Alessandro lidaria com a redução da equipe de trabalho que vinha acontecendo e conduziria a Lava Jato num momento de retaliação contra investigadores e a operação.

Apesar de ter várias razões para dizer ‘não’, Alessandro respondeu imediatamente à minha consulta, sem qualquer hesitação. Não pediu tempo para pensar, não ponderou prós e contras e sequer perguntou a razão da minha saída. Disse na mesma hora que seria uma honra poder servir a sociedade à frente da operação que admirava e dar continuidade ao trabalho que já vinha sendo feito.

Foi com coragem, espírito público e disposição para o sacrifício pessoal em favor da sociedade que Alessandro assumiu a coordenação no MPF da maior operação anticorrupção da história brasileira. Eu tenho especial razão para agradecê-lo porque foi a decisão dele que me permitiu ter mais tempo para dedicar à saúde da minha família quando isso foi necessário.

Contudo, tenho uma gratidão ainda maior como cidadão. Do mesmo modo que ele assumiu a Lava Jato, com coragem, espírito público e disposição para sacrifícios, foi que ele se portou à frente dela. Quando vieram problemas de saúde, em relação aos quais ele sempre foi bastante reservado, não demonstrou abatimento. Até poucos dias atrás, Alessandro dizia que voltaria o quanto antes para seus trabalhos da operação.

Em outros episódios em sua história anteriores à Lava Jato em Curitiba, ele agiu do mesmo modo. Colegas me relataram, por exemplo, sua pronta disposição em assumir atividades penosas no contexto dos trabalhos da Lava Jato perante o STF.

Ele se colocava nas variadas situações como alguém que trabalharia naquilo em que o Ministério Público e a sociedade precisassem dele. Era alguém pronto a servir.

A vida de Alessandro nos deixa um exemplo de coragem, de espírito público e de sacrifício pessoal em favor da população. Sua determinação em seguir adiante mesmo quando já passava por graves problemas de saúde passa para todos nós uma forte mensagem de que o amor e o serviço às pessoas dão significado e sentido à existência humana.

Deixo a minha homenagem, mas consciente de que, como bem disse a nota de pesar do Ministério Público, “palavras são insuficientes para homenageá-lo. A maior dedicatória que podemos fazer à sua vida é seguir seu legado de destemor, convicção e dedicação ao órgão.”

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