Wajngarten deixou o governo, mas não largou Bolsonaro

Wajngarten deixou o governo, mas não largou Bolsonaro
Foto: Marcos Corrêa/PR

Fábio Wajngarten deu uma entrevista à Veja para tentar construir uma narrativa que ajude a eximir Jair Bolsonaro de responsabilidade na falta de vacinas, especialmente no caso da Pfizer, que ofereceu 70 milhões de doses ainda no ano passado.

Trata-se de uma estratégia primária de blindagem do presidente diante da CPI da Covid. Como O Antagonista antecipou, integrantes da comissão consideram o caso da Pfizer a ‘bala de prata’ contra o governo.

Wajgarten, que se sabe lá por que assumiu papel de intermediário no negócio, diz que convidou os diretores da empresa a Brasília. “Fizemos várias reuniões. Fui o primeiro a ver a caixa que armazenava as vacinas a menos 70 graus. Eu também levei para o presidente ver. Expliquei que aquilo não era um bicho de sete cabeças, como alguns técnicos pintavam.”

O ex-secretário de Comunicação afirma então que “as negociações avançaram muito” e que “o presidente sempre disse que compraria todas as vacinas, desde que aprovadas pela Anvisa”.

“Quando liguei para o CEO da Pfizer, eu estava no gabinete do presidente. Estávamos nós dois e o ministro Paulo Guedes, que conversou com o dirigente. Foi o primeiro contato entre a Pfizer e o alto escalão do governo. Guedes ouviu os argumentos da empresa e, depois disse que ‘esse era o caminho.”

Questionado sobre o porquê de não ter sido assinado o contrato naquele momento, Wajngarten faz acusações genéricas contra a “equipe que gerenciava o Ministério da Saúde” e exime Bolsonaro de qualquer responsabilidade. Joga-a nas costas de Eduardo Pazuello, indiretamente, 

“Incompetência e ineficiência. O presidente Bolsonaro está totalmente eximido de qualquer responsabilidade nesse sentido. Se as coisas não aconteceram, não foi por culpa do Planalto. Ele era abastecido com informações erradas, não sei se por dolo, incompetência ou as duas coisas. Diziam que a pandemia estava em declínio e que o número de mortes diminuiria muito até o fim do ano.”

Wajngarten debocha da inteligência alheia e deveria ser convocado pela CPI para explicar por que atuou como intermediário dos contatos com a Pfizer e se fez o mesmo com outras farmacêuticas ou empresários do setor.

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