Witzel recebeu R$ 980 mil quando era juiz, diz empresário

Witzel recebeu R$ 980 mil quando era juiz, diz empresário
RIO DE JANEIRO,RJ,21.05.2019:CWC-WORLD-GAS-POWER-SERIES - O governador Wilson Witzel durante abertura do CWC World Gas e Power Series: Brazil & The Americas Summint, no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro (RJ), nesta terça-feira (21). O evento reúne representantes da indústria de gás e GNL do Brasil e das Américas. (Foto: Claudia Martini/Futura Press/Folhapress)

Na denúncia apresentada contra Wilson Witzel por organização criminosa, o Ministério Público Federal citou depoimento do empresário Edson Torres, que disse que o governador afastado recebeu R$ 980 mil quando ainda era juiz federal, em 2018.

Dono de empresas que mantinham contratos com o governo do Rio nos anos 90, Edson Torres contou que se aproximou de Witzel no final de 2017. Disse que foi convidado por Pastor Everaldo para conversar sobre a viabilidade política da candidatura do então juiz ao governo.

“Logo depois da reunião, o depoente [Edson Torres] e EVERALDO conversaram a necessidade de dar um conforto e segurança financeira para o então Juiz Federal, caso ele pedisse demissão e se perdesse a eleição não teria a garantia dos vencimentos que recebia enquanto Juiz, por um período de tempo até ele se estabelecer”, disse Torres no depoimento.

Ele disse ainda que, naquele momento, outros empresários não se interessaram em apoiar a candidatura. Apenas Victor Hugo Barroso, apontado como operador de Pastor Everaldo, teria se interessado “em apoiar o projeto financeiramente”.

Juntos, Torres e Victor Hugo teriam arrecadado R$ 980 mil para repassar a Witzel. Os pagamentos, disse Torres, foram feitos por quatro meses, até abril de 2018, quando Witzel deixou o cargo de juiz. As parcelas eram de aproximadamente R$ 150 mil.

“Uma parcela foi entregue pelo depoente ao EVERALDO, na Av. Rio Branco, 109, 8º andar; Que outra parcela foi entregue pelo depoente também no mesmo local ao LUCAS TRISTÃO [ex-secretário de Desenvolvimento de Witzel], dia em que o depoente o conheceu pessoalmente; Que terceira e quarta parcelas de dinheiro foram entregues por VICTOR HUGO diretamente ao EVERALDO, possivelmente na Av. Rio Branco, 109 ou na Rua Senador Dantas; QUE o depoente não esteve presente nessas entregas mas VICTOR HUGO lhe confirmou ter feito as entregas; QUE a quinta e última parcela, o depoente entregou pessoalmente o dinheiro na sala da Av. Rio Branco, 109, 8º andar, presentes o declarante, EVERALDO e WILSON WITZEL, à época ainda Juiz”, disse Torres.

Essa última parcela, de R$ 200, detalhou o empresário, foi sacada da conta da empresa Factor. Maços de R$ 50 mil, segundo seu relato, foram entregues a Everaldo e repassados a Witzel.

“Não foi negociado naquela época a participação de cada empresário em contratos porque isso não precisava ser negociado, já estava implícito no acordo de lançamento da candidatura”, afirmou Edson Torres.

No mesmo depoimento, ele afirmou que, de abril até o segundo turno da eleição, pagou, junto com Victor Hugo, R$ 1,8 milhão ao Pastor Everaldo, dirigente do PSC que viabilizou a candidatura de Witzel.

“Após as eleições, o grupo que aportou recursos financeiros na campanha do então candidato fatia as Secretarias e estatais com o escopo de ter retorno econômico”, narrou o MPF na denúncia.

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