JORNALISTAS PEDINDO PERMISSÃO AO GOVERNO PARA INFORMAR… JÁ IMAGINOU?

Caro leitor,

O recente episódio da censura à revista Crusoé levantou mais uma vez o debate sobre a necessidade de se lutar por um valor tão caro à própria democracia: a liberdade de imprensa.

Você já imaginou se jornalistas tivessem de pedir autorização ao governo para informar?

Para uma das maiores especialistas em liberdade de expressão no mundo, isso pode estar mais perto de acontecer do que você imagina.

A jornalista inglesa Jodie Ginsberg hoje comanda uma organização que monitora e denuncia ataques à liberdade de expressão.

É a Index on Censorship (Índice da Censura).

Trata-se de uma ONG, sediada em Londres, que faz o monitoramento de ataques à liberdade de expressão em todo o planeta.

E também uma das mais respeitadas publicações internacionais que tratam do tema.

Ela surgiu em 1972, com o nome Index, que fazia referência às listas de livros proibidos pela União Soviética.

A ideia de lançar tal publicação surgiu no auge da Guerra Fria, a partir de uma troca de correspondências entre dissidentes soviéticos e alguns jornalistas e pensadores ingleses.

Mais de quatro décadas depois, a publicação continua de pé, agora com a nova denominação, mas com o mesmo objetivo de sempre: publicar textos censurados em diversos países do mundo.

A organização ainda premia artistas, jornalistas, sites e entidades que lutam contra a repressão do livre pensar.

Ginsberg concedeu uma entrevista exclusiva à Crusoé e falou, é claro, sobre a preocupação de sua entidade com a censura imposta à revista por quase quatro dias.

Veja o que ela disse ao repórter Duda Teixeira:

“‘É particularmente preocupante que os tribunais atuem (…) fora de suas atribuições, perseguindo seus críticos. Isso ameaça a ideia de independência judicial e de liberdade de imprensa, que são dois pilares de uma democracia saudável.”

Jodie Ginsberg também manifestou seu temor em relação às limitações que vêm sendo determinadas, em diversas partes do mundo, ao trabalho de jornalistas, artistas e comediantes.

Leia mais este trecho da entrevista:

“Minha preocupação é a de que estamos caminhando para um mundo em que jornalistas, artistas e comediantes terão que pedir permissão às autoridades para poder trabalhar. O espaço cívico está diminuindo. Veja o que está acontecendo em Cuba e Uganda, onde os artistas estão protestando contra decretos que querem obrigá-los a registrar-se. Na Indonésia, o projeto de uma Lei de Música busca proibir conteúdo considerado blasfemo ou pornográfico, assim como impedir que os letristas incluam qualquer conteúdo influenciado por influências estrangeiras que seriam negativas.”

E ela disse mais na entrevista à Crusoé.

É um depoimento esclarecedor e contundente.

De uma figura de peso, respeitada internacionalmente.

Você terá acesso ao ponto de vista de alguém que está no olho do furacão na luta para que a liberdade de expressão seja cada vez mais assegurada no mundo.

Essa é uma luta na qual vale a pena se engajar.

É o que se chama de “combater o bom combate” .

A Crusoé cumpre mais uma vez a sua missão.

Levar a você informação de qualidade e depoimentos exclusivos que acrescentam ao debate público e trazem luz em meio à escuridão.

Esse é o nosso compromisso.

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