O BRASIL PRECISA DE UMA TRÉGUA

Caro leitor,

A política brasileira tem muito a aprender com o esporte.

Com o espírito olímpico, mais especialmente.

A sugestão é de Ana Paula Henkel — que entende de política e de Olimpíada como poucos.

Em um artigo que acaba de ser publicado, ela fala sobre o acirramento de ânimos na política, tanto nos Estados Unidos de Donald Trump quanto no Brasil de Jair Bolsonaro.

Lá, como cá, ainda persiste um ambiente de conflagração, com discursos radicalizados, intolerância, propagação de “fake news” e destruição de pontes para o diálogo.

Nada mais perigoso.

Veja o que diz Ana Paula:

“‘Vem cá, dois dedin de prosa concêis’, diria meu pai agora, com uma infinita sabedoria mineira, ao ver tanta divisão, boicote, acusações e julgamentos apressados num momento em que o país, mais do que nunca, precisa de trégua e união, e não amizade, em torno de algumas prioridades inescapáveis como a Reforma da Previdência, o Pacote Anticrime, a Reforma Tributária, a MP da Liberdade Econômica e a retomada do crescimento e do emprego.”

Ana Paula, que vive nos EUA e acompanha de perto a disputa política entre republicanos e democratas, comparou a situação entre os dois países.

Ela lembrou que poucos dias após Trump assumir a Presidência americana, no início de 2017, uma parlamentar do Partido Democrata já começava a falar em abrir um processo de impeachment.

E o assunto continua na pauta dos adversários do republicano até hoje, quase dois anos e meio depois da eleição.

No Brasil, com menos de cinco meses de governo Bolsonaro, não faltam críticas muitas vezes desmedidas, ataques baixos e o velho desejo do “quanto pior, melhor” tão comum em setores da atual oposição.

Com quatro Olimpíadas disputadas pela seleção brasileira de vôlei, Ana Paula cita o Barão de Coubertin, que criou os Jogos da era moderna no final do século XIX com o intuito de promover a paz e o congraçamento das nações, como exemplo histórico a ser seguido.

Segundo ela, o “espírito do Barão de Coubertin” deve servir como permanente lição mesmo nos dias de hoje.

Leia mais este trecho:

Na política não há santos, salvadores, ungidos ou semideuses, apenas homens e mulheres imperfeitos e falhos como todos nós, que devem ser pressionados a buscarem juntos, com diálogo, sabedoria e espírito públicosoluções para os profundos, graves e urgentes problemas do país. O período de campanha e eleições acabou, e em vez de boicotes e garfadas, é preciso que seguremos a tocha olímpica acima das diferenças ou todos, sem exceção, perderemos. Nos EUA, uma república sólida e fundada em pilares demócraticos muito bem estruturados há quase 250 anos, ainda existe muita gordura para se queimar com histerias de qualquer lado do espectro político e até aquelas vindas da imprensa. Nós não temos esse luxo no Brasil. A hora é agora.”

Ana Paula Henkel, como sempre, está afiada.

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