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Agamenon: Agora a coisa vai... pra Dubai!

Dubai é uma espécie de Itu das Arábias: lá tem o maior prédio do mundo, o maior resort do mundo e agora, com a presença de Bolsonaro, o maior mané do mundo
Agamenon: Agora a coisa vai… pra Dubai!
Agamenon/O Antagonista

Cansado de não fazer nada em Brasília, o presidente Jal-Ir Bolsonárabe juntou seus ministros para continuar a sua movimentada inatividade em Dubai. Como não podia deixar de ser, o CicloMito já desembarcou na reluzente cidade-estado do Oriente Médio causando. Causando repúdio e protestos, é claro. Em mais uma infeliz declaração, Bozonaro afirmou que a Amazônia não pega fogo porque é úmida —na certa, confundiu a floresta com a primeira-dama, que outro dia  recebeu um “bom dia especial”. Especialista em  piadas de tiozão, o presidente deve ter entrado na suíte presidencial carregando uma bandeja na mão e gritando para sua “conje”:

— Michelle, meu amor, trouxe um café reforçado pra você, com dois ovos e uma salsicha! Rá, rá, rá!

Eu não entendo o que é que os bolsonaristas veem tanto em Dubai; virou uma espécie de obsessão estética. Pra quem não sabe, Dubai é uma espécie de Itu das Arábias: tudo é grande, exagerado e cheio de espelhos reluzentes. Lá tem o maior prédio do mundo, o maior resort do mundo e agora, com a presença do presidente brasileiro, o maior mané do mundo. O chefe de estado participou de uma exposição de não-sei-o-quê para tentar trocar nióbio, hidroxicloroquina e ivermectina por camelos, areia e fantasias de potentado arabino. Ele quer tirar aquela foto vestido de sheik, como o seu filho Emirado Bolsonaro.

Como não consegue se conter, Bolsoanalfa também aproveitou para falar mal do Enem, que agora, depois de uma reforma, só vai ter perguntas com a cara do Bolsonarma. Por exemplo, questão de matemática ideológica: “a soma de AK 47 + Colt 45 é igual a…”. Outra pergunta que, assim como o Grêmio, vai cair: “Quem é o verdadeiro Messias? a) José  b) Jesus c) Jair”.

Mas, como bobagem pouca é besteira, a Bolsa de Valores de São Paulo resolveu colocar uma estátua de um touro dourado na porta da lucrativa instituição bursátil-financeira. O touro provocou uma série de reações, entre elas a fome, porque o brasileiro não come carne há muito tempo. Além do menos, o brilhante quadrúpede é uma cópia escancarada do touro que fica em Wall Street. A diferença é que lá tem dinheiro de verdade, o dólar, e os turistas acariciam o saco do bovino para ter sorte nos negócios. Como o brasileiro imita tudo que é americano, o presidente já prometeu prestigiar a estátua e esfregar seus chifres. Quer dizer, os chifres do touro.

Enquanto isso, nas Oropa, o ex-presidionário Luiz Candidatácio Lula da Silva viaja na maionese em vitoriosa turnê. Cheio de reais para gastar e aproveitando o câmbio favorável, Lula foi recebido por reis, rainhas, chefes de estado e chefes de quadrilha europeínos. O petrolão e o mensalão foram coisas de um outro tempo, num outro país de outro planeta.

Até o Emmanuel Macron, presidente da França, recebeu o Lula como chefe de estado com direito a boquete, digo, banquete. Lula prefere receber a ser recebido, em dólar se possível, e por isso mesmo não passa recibo. Quando se viu acompanhado pela guarda de honra francesa, Lula ficou cabreiro: o ex-presidionário não curte muito ficar cercado com polícia em volta, principalmente federal. Pelo sim, pelo não, ele já foi falando que não sabia de nada. Dando prosseguimento ao roteiro turístico, Lula segue para Cuba, Venezuela, Nicarágua e outras grandes democracias mundiais.

Agamenon Mendes Pedreira é jornalista de segunda mão.

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