Agamenon: Carnaval da pandemia

Agamenon: Carnaval da pandemia
Agamenon/O Antagonista

Foram anos e mais anos de Carnaval carioca, baiano e pernambucano. Escolas de samba, blocos, trios elétricos, bonecos de Olinda, Galo da Madrugada, maracatus e, sobretudo, muita put@##$%ˆ&*&aria e mulher pelada passavam mais de mês atazanando a vida do motorista de Uber brasileiro.

Neste ano, “devido de que” a pandemia da Covid-19, pela primeira vez na história, o Brasil vai ter um autêntico Carnaval curitibano. Se chover e esfriar, melhor ainda. O carnaval de Curitiba só se compara em ritmo, animação e frenesi aos funerais do papa no Vaticano e ao desfile militar na Praça Vermelha em Moscou.

No Brasil, o reinado de Momo começava no dia seguinte ao Réveillon, menos em Curitiba. Na capital da Lava Jato, o tríduo momesco se inicia rigorosamente na sexta-feira depois que se larga o serviço. Oficialmente, só começa no sábado de manhã, com a tradicional “lavagem” da calçada em frente de casa, e prossegue com a “lavagem” do carro com direito a aspirador por dentro, graxa nos pneus e todas as outras “obrigações” do candomblé curitiboca.

Na televisão, a Polaca Globeleza diz “no pé” rebolando mazurcas, polcas e czardas, excitando a rapaziada. Pelas ruas da feérica capital paranaense, blocos de embalo, blocos de arranco e blocos de empolgação tomam conta da cidade: Apatia é Quase Amor, Polaco de Cristo, Cordão da Nuvem Preta, Me Beija Que Eu Tô Deprimido e a agremiação católico-recreativa Domingo de Ramos, onde o arcebispo é a porta-bandeira.

No Carnaval de Curitiba de não tem pagode, não tem axé nem baile funk. Só toca sertanejo universitário. Mas a fuzarca se acaba mesmo na Quarta-Feira de Cinzas, quando todo mundo, ao meio-dia, já está de volta ao batente.

Mesmo assim, o curitibano reclama muito. Reclama que é um absurdo a Terça-Feira Gorda ser feriado e ainda por cima enforcar a segunda-feira, que nem feriado é, para só voltar na quarta-feira depois do almoço. Um baiano prefere ficar três anos direto na Sibéria a passar um Carnaval em Curitiba.

Por falar em Curitiba e Cinzas, a Operação Lava Jato foi devidamente incinerada. Aproveitando que o brasileiro anda distraído acompanhando o BBB na Globo, os políticos, empresários, magistrados e outros meliantes descuidistas aproveitaram para varrer a corrupção para debaixo do tapete.

Agora, além de pegar de volta a grana que roubaram (e devolveram), os “prejudicados” vão processar o Estado por prisão ilegal, danos morais e lucros cessantes. Vão ganhar em todas as instâncias e serão indenizados em bilhões de reais. Evidentemente, vamos ter que pagar mais essa conta.

É por isso que me ufano do meu país! Nós somos a sociedade mais moderna da Terra! Os avanços brasileiros, principalmente das verbas públicas, nos colocam na vanguarda das civilizações.

Não existe mais crime no Brasil! Conseguimos alcançar essa forma suprema de convivência humana, motivo de inveja das grandes potências, de uma forma muito simples: abolimos qualquer transgressão, perdoamos qualquer ilegalidade, não tem mais bandido, todo mundo é inocente mesmo com prova em contrário.

Agamenon Mendes Pedreira é o rei Momo de Curitiba.

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