Agamenon: chega de política!

A crise está braba. Não é novidade. Tá ruim pra todo mundo. Até pro Migué Temer tá ficando difícil. O único consolo é que vai piorar. Agora o que tá pegando é o “probrema” dos preços dos alugueres. Ninguém consegue alugar nada. O que tem de propriedade privada, fechada, trancada e sem uso é uma absurdo. Tá todo mundo no olho da rua.

A Isaura, a minha patroa, por exemplo, já está há um tempão sem uso, fechada, criando até teia de aranha pelos cantos de tudo que é redondo. A criatura tá numa tristeza de dar dó. Não tem nada que sirva de consolo para a minha desolada cara-metade. Botei a Isaura no Airbnb para alugar, mas não apareceu ninguém interessado. Nem um mísero candidato para visitar as instalações.

Isaura, a minha patroa, é ampla, tem varanda, playground, área de lazer e até espaço gourmet. Isaura serve para eventos, recepções, festas, bacanais de fundo religioso, surubas de família e até bar-mitzvás. E vejam bem: segundo o economista Samy Dana da Globo News, sai muito mais em conta alugar mulher do que ser proprietário de uma. Se a mulher é sua, você tem que pagar academia, personal, depilação, esteticista, terapia, cabeleireiro, pedicure, yoga, Casa do Saber, contas na butique, cartão de crédito, joias, presentes, jantares, viagens, carro com motorista e o car@#$$%%ˆ&&lho a quatro. E ainda tem o IPTU, o IPVA, e o e-social. Isso quando a mulher dorme no emprego e folga de quinze em quinze dias. Não é pra qualquer um ter mulher própria hoje em dia.

Sigam-me o meu raciocínio: somando isso tudo aí em cima, possuir uma mulher sai, por baixo (e por cima e de ladinho também), no mínimo de 20 a 30 paus por mês (com muito trocadilho, fazendo o favor). Se dividir esse montante pelo número de vezes que você “faz uso” da criatura, conclui-se que mais vale alugar a fêmea mais cara do mercado, de frente pro mar e tudo do que ser o único dono de uma com vista pros fundos. E tem mais! A mulher de locação não tem dor de cabeça nem discute a relação.

Aí alguns cretinos vão dizer: esse Agamenon não passa de um machista miserável, chauvinista, preconceituoso, anacrônico, que não entende a “modernidade”, um escroto, um imbecil, sem graça e mau-caráter. A esses indignados eu respondo: vocês têm toda a razão.

Geddel Vieira Lima descobriu que pimenta no Cui Bono dos outros é refresco.

Agamenon Mendes Pedreira é jornalista de aluguel.